A revolução das letras
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de maio de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Na pequena Kaloré (55 km ao sul de Apucarana), de aproximadamente cinco mil habitantes, uma pequena iniciativa está contribuindo para impactar positivamente a qualidade da educação atráves do uso do jornal na sala de aula. De origem indígena, o nome do município significa em guarani ''campo das árvores marcadas'', referindo-se tanto a um povo que habitou a região quanto a uma espécie de árvore (Kalore asanga).
Há pouco mais de um mês a leitura diária da Folha de Londrina, feita por um grupo de 22 alunos do Centro Integrado do Estudo e Integração à Comunidade da Criança e do Adolescente (Cemic), está motivando a aprendizagem e conseguindo transpor dificuldades de leitura e escrita - desafio comum para a maioria das escolas.
A ideia de trabalhar o jornal como ferramenta pedagógica partiu da diretora Mágna das Dores, assinante da FOLHA há seis anos. Ela confessa que o entusiasmo dos alunos é surpreendente. ''Devo confessar que cheguei a ficar temerosa se os alunos iriam se interessar pela atividade. O nosso grande objetivo é cativar o interesse deles e fomos surpreendidos com o andamento das coisas'', destaca.
A instituição atende no período de contraturno 110 alunos de 7 a 17 anos e no local são realizadas atividades de lazer, cultura. esporte e apoio educacional. Café da manhã, almoço e lanche da tarde são servidos diariamente e a proposta é entreter de forma criativa o tempo ocioso dos alunos para evitar o trabalho infantil. Todos os alunos são atendidos pelo programa Bolsa Família.
Além de dois professores, a equipe é complementada por monitores, totalizando 18 pessoas envolvidas nesse trabalho, que é mantido primordialmente com recursos da Prefeitura de Kaloré.
Empolgados com a novidade, agora os alunos - e também os funcionários - disputam quem será o primeiro a ler as notícias. O Caso Nardoni e as ''pulseiras do sexo'' foram os assuntos que mais geraram debates. ''Eles passaram a fazer comparação entre o que liam no jornal e o que viam na TV e ouviam no rádio. Passaram a se interessar mais pelos assuntos da realidade'', complementa Mágna.
Na oficina de jornal, além de praticar mais a leitura e a escrita, os alunos pesquisam no dicionário as palavras novas, resumem os textos jornalísticos que mais interessam, fazem releitura das charges publicadas.
E até o quesito ''capricho'' está sendo aprimorado, já que os alunos estão elaborando manualmente seus jornais, utilizando folhas em papel kraft que simulam em tamanho real as páginas de jornal. Os alunos que elaborarem os três melhores materiais, desde que associado com o bom desempenho na escola regular e outras atividades do projeto, serão premiados no final do ano. A premiação também se estenderá aos monitores envolvidos. ''Jornal do Cemic'', ''Folha do Cemic'', ''Fatos e boatos'' são algumas das iniciativas.
O aluno Richardson Leandro Bispo, 13 anos, que é são paulino, não consegue ser ''imparcial'' quando elabora a sua página de esportes, com colagens das matérias publicadas pela Folha de Londrina, destacando quase sempre o seu time do coração. O aluno Jhonny Alves Santana, 15 anos, aproveita sua habilidade artística para elaborar charges e as letras serifadas que caracterizam a maioria das manchetes do jornal impresso.
David William Veiga, 12 anos, resume bem a importância desse trabalho. ''A oficina com o jornal é um pouco difícil, pois temos que prestar atenção em um monte de coisas, como vírgulas, pontuação e palavras novas. Mas está sendo muito bom. Aprendemos mais e estamos melhor informados''.
Para o final do ano, a instituição está planejando uma viagem de visita à sede da Folha de Londrina.


