Um dos espetáculo mais esperados no Festival de Curitiba deste ano foi ‘‘Não Sobre o Amor’’, do diretor Felipe Hirsch, que estreou em 2008. O motivo é que a peça foi elogiada pela crítica e público no Rio de Janeiro e São Paulo e ainda não havia sido apresentada em Curitiba. Os ingressos para as duas apresentações se esgotaram antes mesmo do Festival começar.
No palco, um cenário ao contrário. A mesa e a porta estão nas paredes, a janela no teto e o lustre no chão. Os atores Leonardo Medeiros e Simone Spoladore encarnam Victor Shklovsky, importante teórico do formalismo russo, e Elsa Triolet, romancista franco-russa. O ponto de partida são as cartas trocadas entre os dois escritores. O amor de Shklovsky pela romancista consome os depoimentos, até que Elsa escreve em uma das correspondências que ele pode continuar a se comunicar com ela e falar sobre o que quiser, mas não sobre o amor.
O cenário simples, mas complexo, mostra uma faceta até então oculta da Sutil Companhia de Teatro, que geralmente opta por grandes teatros e elementos cênicos. ‘‘Não Sobre o Amor’’ foi montado para ser apresentado em um teatro pequeno, intimista, assim como a interpretação dos protagonistas. É uma história que se baseia nas consequências das relações interpessoais, ou da falta delas.
O enredo é baseado no livro homônimo, publicado em 1923. Shklovsky chegou a escrever duas cartas por dia para a amada. O ator Leonardo Medeiros dá vida ao sentimento e dor que um amor não correspondido pode resultar. Por sua vez, Simone Spoladore mostra uma personagem real, com luz e simplicidade.
O espetáculo não tem um momento de ápice. Porém, o público conseguiu degustar aos poucos uma história de amor madura, sem ver o amor concretizado, mas personificado em um grande espetáculo. (D.C.)

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