São Paulo, 11 (AE) - A exposição "A Ressacralização da Arte", em cartaz no Sesc Pompéia, em São Paulo, é uma tentativa de reunir num mesmo espaço obras que tenham uma dimensão espiritual. Nas palavras do curador, Jacob Klintowitz, seu objetivo foi mostrar como "a arte se preocupa com a significação da existência e, de maneira consciente ou não, aproxima o homem do cosmo", estabelecendo "uma visão completa da união entre as partes".
O resultado, no entanto, não é tão harmônico quanto o conceito, pois não indica em nenhum momento o ressurgimento do caráter sagrado da arte. Aliás, essa é uma questão com a qual a arte sempre está lidando, mesmo que seja para destruí-la.
A seleção de 18 artistas brasileiros, representados na mostra por 513 trabalhos, é cheia de altos e baixos. Também não há grandes inovações no que se refere à montagem, já que "A Ressacralização da Arte" é composta na verdade por pequenas mostras individuais de artistas já consagrados e com vários anos de experiência. São eles: Maria Bonomi, Arcangelo Ianelli, Mario Cravo Jr., Marcelo Grassmann, Gilvan Samico, Siron Franco, Gilberto Salvador, Inimá de Paula, Carybé, Bené Fonteles, Maria Guilhermina, Miguel dos Santos, Roberto Magalhães, Lygia Reinart, Yukio Suzuki, Feres Khoury, Megumi Yuasa e Israel Pedrosa.
Há desde pinturas mais acadêmicas, como as paisagens urbanas e rurais pintadas por Inimá de Paula, a uma impressionante seleção de telas de grande dimensão de Arcângelo Ianelli, nas quais o pintor revela sua maestria usando cores veladas para iludir e atrair o olhar do espectador. Os núcleos dedicados às obras de Siron Franco e Gilvan Samico também estão entre os mais atrativos da exposição, ao lado de uma bela seleção de aquarelas de Carybé, morto em 1997.
Escondidos no fundo do grande centro de convivência do Sesc, esses trabalhos mostram com uma profunda delicadeza o universo do candomblé e da Bahia que tanto encantou esse argentino que se naturalizou brasileiro. Há comoventes e coloridas cenas, como a da negra realizando sozinha uma sessão de umbanda, ou as imagens movimentadas de mães-de-santo recebendo seus orixás, como uma bela Iansã de pernas finíssimas, dançando com o seu majestoso traje vermelho.
Aliás, a Bahia tem uma presença marcante na exposição. Também estão presentes trabalhos de Mario Cravo Jr. e Bené Fonteles, este um dos únicos da mostra a apresentar uma obra diferente das linguagens artísticas mais tradicionais, como a pintura e a escultura.

mockup