A reinvenção de Roberta Sá
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quarta-feira, 14 de março de 2012
Ana Paula Nascimento <br> <br> Reportagem Local 
Salvador, 1º de março, Teatro Castro Alves lotado. Foi nesse cenário que a cantora Roberta Sá deu início à turnê do seu quinto disco - ''Segunda Pele'' (MP,B Discos e Universal Music) - que após passar também por Natal, Recife e Rio de Janeiro será apresentado no próximo sábado, em Curitiba, no Teatro Guaíra. Com patrocínio do programa Natura Musical, a turnê vai percorrer as cinco regiões do país. Uma experiência nova - e ''maravilhosa'' - nas palavras da jovem cantora talentosa, que ainda não é muito conhecida do grande público.
Na Bahia, no histórico teatro, foi bonito de ver a plateia soteropolitana cantando de cor o repertório praticamente inédito do disco lançado em janeiro. ''E o interessante é que isso sempre aconteceu, desde o início. O meu público compra meus discos, canta junto, em uma proporção que vem crescendo gradativamente. Como Yamandu Costa costuma dizer, minha trajetória foi construída à mão, tijolo por tijolo'', conta Roberta Sá, 31 anos, por telefone.
Dona de um sorriso luminoso e de uma voz poderosa - que algumas vezes é comparada à da Gal Costa e Marisa Monte -, Roberta diz que encara as comparações, muitas vezes feitas pela imprensa, como elogios, já que as cantoras citadas são referências inevitáveis para ela também. Fã incondicional do compositor e cantor Caetano Veloso, no seu mais recente trabalho ousou regravar o frevo ''Deixa Sangrar'', de Caetano, e não decepciona. ''Até onde eu sei ele (Caetano) ainda não ouviu a minha gravação, mas ele é sempre muito carinhoso com o meu trabalho'', comenta a cantora, nascida em Natal, e que desde os 9 anos mora no Rio de Janeiro.
Em 2009, em sua primeira participação no ''Criança Esperança'' (ela já participou três vezes), marcou presença com a sua interpretação de ''Gente'', também do Caetano. ''O Moreno Veloso (filho do cantor) contou que o Caetano viu e que adorou. Foi muito legal'', lembra. Na Globo, ela também participou em 2002 do programa Fama, mas poucos recordam disso. Oficialmente, ela se considera uma cantora profissional desde o lançamento do seu primeiro disco - ''Braseiro'' - de 2005.
E foi para homenagear os compositores contemporâneos que surgiu a ideia do ''Segunda Pele'', título emprestado da canção homônima de Carlos Rennó e Gustavo Ruiz que também integra a coletânea. Com uma sutil sensualidade, Roberta Sá mostra um outro lado do seu trabalho de intérprete. No show, o figurino de Isabela Capeto ajuda a criar um clima para as canções mais pop e sensuais, divergindo um pouco do samba que até então marcou a trajetória da cantora, que também é formada em jornalismo (ela apresenta o programa Faixa Musical, do Canal Brasil).
''O meu público está aceitando muito bem essa nova proposta que acho que é o resultado de uma caminhada, do meu amadurecimento profissional. Quis apostar em uma maior liberdade sonora, até como uma forma de renovação, de autoanálise'', afirma Roberta, que foi considerada a melhor cantora de MPB no último Prêmio da Música Brasileira. Das 12 canções do álbum recém-lançado, sete são inéditas. O único samba é ''O Nego e Eu'', feito para ela por João Cavalcanti. Composições de Dudu Falcão, Mário Sève, Lula Queiroga, Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti e Wilson Moreira também contemplam o registro fonográfico.
E nessa nova fase, ela contou com os arranjos primorosos de Rodrigo Campello, antigo parceiro desde a primeira fita demo, além da direção vocal e de coro de Felipe Abreu. Outro diferencial é a sua interpretação pela primeira vez de uma canção em língua estrangeira - ''Esquirlas'' -, inédita do uruguaio Jorge Dexler. '''Esquirlas' são estilhaços de bombas, o que forma uma imagem, infelizmente muito corriqueira nos dias de hoje'', pontua, sendo que a canção difere do enredo do disco, mais voltado para canções animadas, como o dub/frevo ''No Bolso'', uma parceria da cantora com o marido Pedro Luís (Monobloco e A Parede).
''Hoje em dia é muito fácil termos contato com a miséria humana, a dor do outro, e é muito dolorido lidar com isso. Sou bastante sensível e às vezes me pego em conflito. No fundo, a música é a minha salvação. Me conforta saber que a minha música pode levar um pouco de alegria e alento aos outros; que um abraço, no final do show, pode fazer diferença para alguém'', reconhece. E como ela expressa com propriedade em ''Bem a Sós'', de Rubinho Jacobina, ''a felicidade mora na satisfação'', principalmente das pequenas coisas.
* A jornalista viajou a Salvador a convite da Natura Musical
Serviço
- Show ''Segunda Pele'', da cantora Roberta Sá
Quando - Sábado (17/03), às 21h
Onde - Teatro Guaíra, em Curitiba
Quanto - R$ 60


