O cenário é a Roma dos anos 60 e, entre tantos personagens cativantes, está o jornalista Marcello, personagem do ator Marcelo Mastrianni. Ele vive entre celebridades, ricos e os fotógrafos que fundariam o estilo paparazzi, em um mundo de festa e extravagância. O mote do filme ''La Dolce Vita'', de Federico Fellini, é a inspiração para uma exposição que reúne dez fotógrafos nas recriações de cenas da produção, que comemora 50 anos.
A mostra nasceu a partir da paixão e da pesquisa de Tiomkim, fotógrafo e curador do Museu da Imagem e do Som (MIS), em Curitiba. ''O museu (MIS) trabalha sempre com pesquisa de cinema e esse filme é um divisor de águas na carreira de Fellini, que só depois disso foi reconhecido internacionalmente'', comenta.
''Tive a ideia de fazer uma recriação da obra original, não uma cópia. Tinha que ser inspirado no filme, que foi feito na década de 60, uma época de mudanças. Os fotógrafos tinham que mostrar aquela doce vida romana dos anos 60.'' A curadoria de Tiomkim trouxe então para o projeto os fotógrafos Arthur Naufall, Brasílio Wille, Daniel Côrrea, Gus Benke, Izabel Liviski, Karin van der Broocke, Marcelo Dallegrave, Milton Jr., Pedro Nossol e Ricardo Garcia.
Os fotógrafos usaram vários modelos em cenários que pudessem recriar a atmosfera elegante e melancólica original, assim como vestidos e carros inspirados na época. Todas as imagens, selecionadas em formato 40 x 60 cm, foram produzidas em preto e branco, com exceção da que remete ao cartaz do filme. ''Nessa foto o Pedro Nossol buscou a iluminação ideal para reproduzir as cores do cartaz'', explica Tiomkim.
Além da famosa cena da fonte, Tiomkim também destaca o trabalho de Gus Benke. ''O Gus usou como modelos duas senhoras da sociedade curitibana, que posaram jogando peteca em frente à Boca Maldita. Ele batizou a imagem de ''Mulheres que não deixam a peteca cair'', como uma forma de ilustrar as personagens fortes e charmosas do filme.''
Para o curador, a mostra, além de uma grande homenagem, é também uma forma de levar a obra de Fellini ao público mais jovem. ''É um filme que mexe com temas que não eram comuns na época, como sexo, suicídio, inquietude, ninfomania. É meio ousado e até experimental. A nova geração não conhece muito e então, a exposição é também uma redescoberta.''

Serviço
- La Dolce Vita na lente de...
Quando - A mostra fica em cartaz até o dia 31 de janeiro
Onde - Museu da Imagem e do Som, em Curitiba

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