A realidade nas ondas do rádio
A realidade nas ondas do rádio
A Rádio Universidade FM estréia
hoje programa produzido por
alunos do Curso de Jornalismo
Silvana Leão
Josoé de CarvalhoAs professoras Francisca Mota e Flávia Bespalhok (à direita) com alunas que participam do projeto
Uma imagem sonora do cotidiano. Da história. Dos fatos. É o que pretende ser o programa Retratos, que a Rádio Universidade FM (107,9 megahertz) estréia hoje, às 18 horas. Produzido por alunos do Curso de Jornalismo da UEL, o novo programa - que será levado ao ar todas as quintas-feiras, no final da tarde - pretende ir a fundo nos temas escolhidos. Para começar, um retrato fiel da noite de Londrina.
Como é estar nos bares, nos hospitais, nas farmácias, nos hotéis, nas ruas da cidade na alta madrugada? Retratos vai mostrar que nem sempre a poesia e a nostalgia estão presentes. O flagrante de um acidente de trânsito em plena Avenida Rio Branco, depoimentos como o de uma mãe que acompanha a filha acidentada no pronto-socorro ou do taxista que convive com o perigo para poder trabalhar trazem à tona o outro lado do período do dia feito, a princípio, para o descanso.
Arquivo PessoalFlagrantes como
o da mãe que
passa a noite
ao lado da filha
no pronto-socorro
foram registrados
pelo programaMunidos do firme objetivo de mostrar que o rádio pode oferecer aos ouvintes muito mais do que música simplesmente, professoras e alunos não mediram esforços. Foram 12 horas na rua, registrando tudo o que acontece enquanto a maioria dos mortais está dormindo. O resultado - com direito a uma edição caprichada, recheada de recursos sonoros, poemas, crônica do jornalista Paulo Briguet e músicas pra lá de oportunas - foi um programa com 54 minutos.
Os próximos serão feitos com 30 minutos. Este primeiro, como o assunto rendeu muito, acabou ficando mais longo. Nem por isso ficou cansativo. Quem ouvir vai gostar, garante a professora Francisca Sousa Mota, uma das orientadoras do Projeto de Ensino A Interação Teoria/Prática de Radiojornalismo Numa Dimensão Mais Próxima do Mercado de Trabalho, do qual o programa Retratos faz parte.
A professora também afirma que o nome escolhido para o programa não podia ser mais adequado, já que a idéia é destrinchar cada tema sob os mais diferentes aspectos. Como uma fotografia, que revela detalhes nunca antes percebidos, Retratos pretende fugir daquilo que é tão comum hoje na mídia: a superficialidade.
Arquivo PessoalÀs cinco da manhã,
uma parada na
feira para gravar
mais alguns depoimentos
e, como ninguém é
de ferro, fazer uma boquinhaPara os alunos que estão tendo a oportunidade de participar do projeto, a experiência não podia ser mais gratificante. É uma forma de colocar em prática o que aprendemos aqui dentro, de estarmos mais próximos da nossa função no mercado de trabalho e sentir as dificuldades de sair da teoria. Saber que o que estamos produzindo realmente vai para o ar dá um outro ânimo, afirma Rachel Severo, aluna do terceiro ano do curso de Jornalismo.
Claudia Sabbag Ozawa, também do terceiro ano, lembra que o projeto tem ainda um outro mérito, que é o de despertar a atenção do aluno para um veículo de comunicação que andava meio esquecido. A gente está vendo que é possível realizar coisas interessantes no rádio. Ela confessa que por ter sido o primeiro, o programa abordando a noite em Londrina demorou um pouco para sair. Mas daqui para a frente, acredita, os problemas serão resolvidos mais facilmente e todos vão entrar no ritmo da produção semanal.
Esta é a primeira vez que os alunos de Comunicação têm a responsabilidade de colocar no ar um programa de 30 minutos. Até então, a única experiência dos acadêmicos havia sido um boletim de esporte, logo que a Rádio Universidade entrou no ar. Mas era algo mais informal, não havia um projeto, como existe agora, observa a professora Flávia Bespalhok, que também participa da produção do Retratos.
Depois de mostrar o lado desconhecido da noite em Londrina, o programa vai falar da Copa. Mas como sempre, indo além do trivial: Vamos entrevistar um antropólogo, para falar da brasilidade, um cientista político, para abordar esta coincidência da Copa se realizar exatamente em ano de eleição, e vamos analisar a cobertura da imprensa local, a economia em época de jogos, além de depoimentos de jogadores, diz Flávia. O programa da Copa deve ser apresentado no dia 25, coincidindo com o término da primeira fase dos jogos na França.





