Sonhador, o homem sempre apostou em coisas consideradas impossíveis como construir uma máquina capaz de voar ou trazer de volta à vida espécies extintas há anos. Uma iniciativa dos cientistas do Museu Australiano de Sidney aparece agora como a mais recente ousadia da pesquisa genética, transformando a ficção enfocada no filme ‘‘O Parque dos Dinossauros’’, de Steven Spielberg, numa possibilidade prevista para se transformar em realidade em 2010. Neste ano deverá nascer o primeiro exemplar clonado do tigre da Tasmânia, um animal que a natureza demorou 50 milhões de anos para criar e que vivia em bandos até ser implacavalmente caçado como o principal inimigo dos rebanhos de ovelhas. Se Dolly teve seus dias de glória, o filhote do tigre da Tasmânia promete ganhar a mídia se, daqui há oito anos, ressurgir na Terra através da clonagem.
Para cumprir o desafio, que já está sendo considerado tão importante quanto a chegada do homem à Lua, foi criada 1999 a Rheuben Griffiths Trust, uma organização para patrocinar as pesquisas de clonagem do animal. Como ponto de partida, os cientistas utilizaram amostras de DNA retiradas de um feto feminino de 136 anos, que foi conservado em etanol (álcool etílico), em vez de formol, desde 1866. Mais de um século depois, o método de preservação ofereceu as condições necessárias para serem retiradas as amostras de DNA abrindo a possibilidade do animal voltar a viver no planeta. Um fato considerado até então impossível, já que o último tigre da Tasmânia conhecido morreu no Zoológico Hobart da Austrália, em 7 de setembro de 1936.
À frente dessa pesquisa revolucionária está o cientista Mike Archer, diretor do museu australiano e um especialista em marsupiais, animais que, a exemplo dos cangurus, têm bolsas no ventre. Os tigres da Tasmânia viveram e se reproduziram em regiões da Austrália, Nova Guiné e Tasmânia até desaparecerem por completo. A sua volta à vida é um desafio que Archer e sua equipe querem levar até o fim sem se importarem com as críticas daqueles que consideram o projeto uma idéia de malucos.
A experiência, que está na fase da tentativa de reprodução e sequênciamento das seções do genoma do tigre, será conhecida pelo público num programa que o Discovery Channel vai levar ao ar, com estréia mundial marcada para 7 de julho. Neste programa, o público vai conhecer o passado e a evolução do marsupial, além das pesquisas que envolvem desde a retirada das amostras do feto que deverá ser clonado, até o trabalho com fósseis do animal que têm entre 25 e 12 milhões de anos. Estes fósseis são encontrados em depósitos da Herança Mundial de Tiversleigh, no noroeste de Queensland (Austrália).
Sobre a questão ética que envolve as clonagens, Mike Archer acredita que o assunto pode ter diferentes leituras. Para ele, o ato imoral de fato foi o extermínio do tigre da Tasmânia e outros animais da Terra. Sua tentativa, ele diz, ‘‘é reverter estes atos perversos’’.
Apostando no sucesso da experiência, o cientista afirma que os críticos iniciais do projeto já estão agora menos rigorosos do que no início. Ele lembra que a clonagem da ovelha Dolly também era considerada impossível e só foi adiante graças à firmeza daqueles que investiram na pesquisa recusando-se a manter o assunto sob o rótulo de ‘‘improvável’’.
Enquanto o tigre da Tasmânia não volta à vida, a equipe de filmagens apostou em tecnologia de última geração para ‘‘ressuscitar’’ a espécie através de um boneco ‘‘animatronic’’ - com todas as características do animal vivo - e de sistemas de computação gráfica utilizados pela Becker Group Limited, produtora do programa. São essas imagens que o público vai ver no documentário que aproxima a realidade da ficção de uma forma que, até bem pouco tempo, era coisa de cinema.
Serviço: ‘‘Clonando o Tigre da Tasmânia’’: o documentário será exibido pelo Discovery Channel, no dia 7 de julho, às 21 horas.

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