Considerado um precursor do neo-realismo italiano, o cineasta Vittorio de Sica morreu há 25 anos
Arquivo FolhaVittorio De Sica substituiu atores profissionais por rostos populares que encontrava nas ruasArquivo Folha‘‘Ladrões de Bicicleta’’: filme retrata a miséria e o desemprego da Itália pós-guerraAgência EstadoEm 1939, quando estourou a Segunda Guerra Mundial, Vittorio De Sica já era um ator famoso

Paulo Polzzonoff Jr.
De Curitiba



Hoje faz 25 anos que faleceu Vittorio De Sica, considerado um dos mais influentes diretores italianos de todos os tempos. Durante mais de meio século Vittorio De Sica engrandeceu o cinema, primeiro como ator, depois como diretor de clássicos absolutos como ‘‘Vítimas da Tormenta’’ (1946) e ‘‘Ladrões de Bicicleta’’ (1948). Ao longo de sua carreira, De Sica dirigiu 34 filmes, que receberam inúmeros prêmios ao redor do mundo, além de quatro Oscars.
De Sica nasceu em 7 de julho de 1901, na cidade italiana de Sora, numa família de classe média que depois se mudou para Nápoles, onde De Sica cresceu. Encorajado pelo pai, Umberto, Vittorio estreou no cinema como ator aos 16 anos no filme ‘‘The Clemenceau Affair’’. Durante a década de 20, excursionou pelo país numa companhia de teatro. Não satisfeito em contracenar apenas, Vittorio decidiu montar sua própria companhia de teatro, para a qual poderia escrever suas próprias peças, dirigi-las e produzi-las.
Em 1939, quando estourou a Segunda Guerra Mundial, Vittorio De Sica já era um ator famoso, muito popular entre as mulheres. Foi nesta época que o homem de teatro resolveu enveredar pelo cinema, sua verdadeira paixão. Entre 1939 e 1941, dirigiu quatro filmes pouco expressivos e de pouco sucesso. Mas seu quinto filme, ‘‘A Culpa dos Pais’’ (1942) mostrava um homem maduro o suficiente por detrás das câmeras, capaz de se fazer uso da película para expressar uma profundidade que até então se mantivera oculta. Aclamado pela crítica e público, o filme foi também o primeiro de uma parceria com o roteirista Cesare Zavattini, que duraria décadas. O relacionamento entre os dois daria ao mundo duas obras-primas do movimento que viria a ser chamado ‘‘neo-realismo’’: ‘‘Vítimas da Tormenta’’ e ‘‘Ladrões de Bicicleta’’.
A genialidade de De Sica se manifestou quando ele encontrou dificuldades em financiar seus filmes. Sem dinheiro, decidiu usar locações reais ao invés de caros cenários e também passou a empregar atores não-profissionais. O resultado foi um cinema hiper-realista, sem a tradicional maquiagem hollywoodiana. De Sica e a crueza de seu cinema ‘‘in natura’’ conquistariam o mundo.
Vittorio De Sica filmaria uma obra-prima após a outra. Depois de ‘‘Vítimas da Tormenta’’ e ‘‘Ladrões de Bicicleta’’ se seguiriam os brilhantes ‘‘Milagre em Milão’’ (1950), ‘‘Umberto D’’ (1952) – considerado por muitos o último filme neo-realista do diretor – ‘‘O Teto’’ (1956) e ‘‘Duas Mulheres’’ (1960), filme este que daria a Sophia Loren o Oscar de Melhor Atriz.
Devido ao fracasso comercial de seus filmes, teve de voltar a trabalhar como ator, até mesmo em papéis secundários. Para muitos, os últimos dez anos de sua carreira são desprezíveis. Ainda assim Vittorio De Sica ainda ganharia um Oscar em 1972 com ‘‘O Jardim dos Finzi Contini’’.
De Sica continuou filmando até o ano de sua morte, em Paris, no dia 13 de novembro de 1974, após submeter-se a uma cirurgia para retirar um tumor em seus pulmões.

FILMOGRAFIA
- Rose Scarlatte (1939)
- Madalena, Zero em Comportamento (1940)
- Teresa Venerdi (1941)
- Recordações de um Amor (1941)
- A Culpa dos Pais (1942)
- A Porta do Céu (1944-46)
- Vítimas da Tormenta (1945-46)
- Ladrões de Bicicletas (1948)
- Milagre em Milão (1950)
- Umberto D (1951)
- Quando a Mulher Erra (1953)
- O Ouro de Nápoles (1954)
- O Teto (1956)
- Duas Mulheres (1961)
- O Juízo Universal (1962)
- Boccacio 70 (1962)
- O Condenado de Altona (1970) Il Boon (1963)
- Ontem, Hoje e Amanhã (1963)
- Casamento à Italiana (1964)
- O Mundo Jovem (1965)
- O Fino da Vigarice (1966)
- Sete Vezes Mulher (1967)
- Um Lugar para os Amantes (1968)
- Os Girassóis da Rússia (1970)
- O Jardim dos Finzi Contini (1971)
- Os Casais (1971)
- Até que o Divórcio Nos Separe (1972)
- Amargo Despertar (1973)
- Viagem Proibida (1974)

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