A rainha virgem - Vídeo (Celso Mattos)
Celso Mattos
De Londrina
Enquanto espetáculo cinematográfico, Elizabeth é ótimo, mas quando analisado do ponto de vista histórico, é uma bomba. Como diretor, o indiano Shekhar Kapur merece nota 10, mas como aluno de História precisa estudar mais. Ele cometeu erros imperdoáveis, trocando nomes de personagens e inventando fatos que nunca existiram no reinado britânico. O drama que concorreu a sete Oscars, chega às locadoras trazendo no papel da rainha virgem Elizabeth, a atriz australiana Cate Blanchett, que tirou o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Fernanda Montenegro.
Com apenas três filmes no currículo, Blanchett surpreende pela fúria com a qual se entregou à personagem. Mesmo ao lado de atores do calibre de Geoffrey Rush e Christopher Eccleston, ela consegue brilhar em todas as cenas. O filme é um drama sombrio, pesado, intenso e brilhante. A fotografia, o figurino e a reconstituição de época deixam o espectador em estado de êxtase. A cena que abre o grandioso Elizabeth é de arrasar: três protestantes são queimados na fogueira, enquanto a massa ensandecida grita que eles devem queimar no inferno. É chocante, mas nem um pouco gratuita. É apenas o começo de uma história sobre traição, intriga, conspiração, paixão e morte.
O filme tem um ritmo incomum nas produções do gênero e equilibra com maestria momentos intimistas e diálogos afinados com sequências de tirar o fôlego, como os atentados que a rainha sofre por conspiradores ávidos para lhe privar do trono enquanto ela não possui um herdeiro. É um épico traduzido em cinema de primeira linha. Elizabeth só não é totalmente dominado por Cate Blanchett porque o resto do elenco é igualmente excepcional. Geoffrey Rush na pele do sombrio Francis Walsingham, protetor da rainha, degola os inimigos com a mesma naturalidade com que corta um bife.
Cate Blanchett soma com Fernanda Montenegro as duas melhores interpretações femininas de 1998, mas infelizmente a Academina preferiu a sonsa Gwyneth Paltrow. Apesar de não ter levado nenhum dos sete Oscars, Elizabeth é um programão. Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 125 minutos.
DivulgaçãoÀ Primeira VistaCena de À Primeira Vista: um cego descobre o mundoHá muito tempo Val Kilmer não fazia um bom filme. Depois de inúmeras bombas, ele volta em À Primeira Vista, ao lado de Mira Sorvino. Baseado numa história real, escrita por Oliver Sacks, o mesmo autor de Tempo de Despertar, o filme conta a envolvente aventura de um homem que vê o mundo pela primeira vez e se apaixona pela vida, quando descobre as formas, as cores e as luzes que o rodeiam. Cego desde os 3 anos de idade, Virgil (Kilmer) volta a enxegar após um método cirúrgico revolucionário. A visão se transforma em um grande desafio, pois cada passo em direção à luz o aproxima da revelação de um novo sentido para a vida. Apesar de um pouco lacrimoso, À Primeira Vista é uma história de amor comovente e provocante. O filme traz no elenco a atriz Kelly McGillis, aquela loira que trabalhou em A Testemunha, que há muito tempo estava desaparecida das telas. Lançamento da Warner Home. Duração: 129 minutos.
Bem Amada
ReproduçãoCena de Bem Amada: uma história da escravidãoUm projeto pessoal da famosa apresentadora de televisão Oprah Winfrey, Bem Amada custou 50 milhões de dólares e não rendeu nem a metade. Mesmo com a direção de Jonatham Damme, que fez o premiado O Silêncio dos Inocentes, e com uma produção de primeira, o filme não decolou. Bem Amada é a história de uma escrava que vive com a filha numa casa assombrada pelo fantasma de outra que morreu. A chegada de um amigo do passado, interpretado por Danny Glover, reacende dolorosas memórias e precipita terríveis revelações. Além de ser extremamente pesado, o filme é longo demais e mal editado. Na verdade, 30 minutos a menos não fariam falta nenhuma. Quem ficar mais atento, vai perceber que em uma cena o diretor faz uma homenagem à escrava brasileira Anastácia. Lançamento da Abril Vídeo. Duração: 172 minutos.





