É tudo uma questão de coerência. Sendo uma artista popular assumida, a cantora londrinense Eliane Camargo tem que cantar e gravar o que o povo gosta, o que o povo ouve, o que o povo quer. E estando o Brasil atualmente inclinado para o country, ela se viu no pleno direito de absorver o estilo e colocá-lo em seu quarto disco. O lançamento ao público acontece sexta-feira, a partir das 21 horas, na Casa de Shows Viola de Ouro, de sua propriedade.
‘‘Eliane Camargo - a Rainha do Bailão Volume 4’’, é bom que se diga, é um disco com nuances countries já que a cantora não se esqueceu de deixar bem claro que ainda bebe na fonte da convencional música sertaneja. ‘‘Fiz, na verdade, um disco country brasileiro. Enquanto o country americano é mais voltado para o rock, o nosso é mais rural, mais para a sanfona’’ - explica ela. Em outras palavras, nas 14 faixas do disco pode-se ouvir baladas românticas, bolero, arrasta-pé e forró adaptados ao estilo agora escolhido.
O novo trabalho, lançado pelo selo A.R. Play, de sua propriedade, vem cercado de uma zelosa produção - boa escolha de repertório - popular sim, mas não popularesco - belo design gráfico e, principalmente, impecável qualidade sonora. Além disso, o disco, que sai com uma tiragem inicial de 5 mil cópias, poderá ser encontrado nos quatro pontos cardeais do Brasil.
Mesmo sem o lançamento oficial ter ocorrido, a cantora está a todo vapor para divulgar sua mais nova cria. As atenções estão concentradas no Paraná, interior de São Paulo e Minas Gerais. A maratona, estressante obviamente, já começou. Só para se ter uma idéia, em dois meses a cantora percorreu, segundo ela, quatro mil quilômetros para dar entrevistas em 180 rádios mineiras. E isso foi só o começo.
‘‘Rodeio e Bailão’’ (Ricardo Felix-Anna Fernandes), uma mistura de country com arrasta-pé, foi a faixa escolhida para ser o carro-chefe. Mas o disco traz algumas outras faixas interessantes. Uma delas é ‘‘Caldeirão Velho’’ (Lindomar Castilho-Dan), uma versão feminista para ‘‘Panela Velha’’, sucesso de Sérgio Reis. Outro destaque fica por conta de ‘‘Mulher, Cachaça e Viola’’ (José Fortuna-Paraíso), gravado originalmente por Berenice Azambuja, em que a cantora reparte o microfone com a dupla Ronaldo Viola e João Carvalho.
Já em ‘‘Surra de Amor’’ (Tivas-Nino), Eliane Camargo incorpora sua porção femme fatale para cantar provocativos versos (Por trás dessa mulher/que lhe parece frágil/explode um desejo incontrolável/quando atiçado me vira do avesso). O melhor dessa história toda é que revela-se, aí, sobretudo uma intérprete madura.
‘‘Eliane Camargo - a Rainha do Bailão Volume 4’’ é um trabalho que, dentro da linha popular, tem tudo para agradar aos apreciadores da linha country temperada com elementos brasileiros. E, ao contrário de outros produtos lançados nessa linha, não pende em momento nenhum para a fragilidade e muito menos para a apelação barata. É que Eliane Camargo teve o bom senso de deixar bem claro que Nashville não é a capital do Brasil como querem alguns de seus coleguinhas de estilo.Paulo WolfgangEliane Camargo: ‘‘Só vou me dar por satisfeita quando sentir que sou o orgulho de todo o ParanᒒA cantora londrinense Eliane Camargo, a ‘‘Rainha do Bailão’’, adota o estilo country em seu quarto disco

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