A rádio de uma só torcida
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de julho de 1998
Luiz Claudio Oliveira 
A saída da equipe esportiva da rádio CBN não se deu em clima festivo, como se pode perceber pela matéria ao lado. Há muito tempo havia desentendimentos entre a equipe de jornalismo e a de esportes. Esta, quase sempre, deixava a paixão clubística falar mais alto que o profissionalismo.
Mais do que uma simples ligação profissional, a relação entre a equipe esportiva da CBN com Mário Celso Petraglia, que além de dono da rádio é presidente do Atlético, era de total subserviência. Essa cobertura tendenciosa do esporte permitiu que os torcedores que não fossem atleticanos fizessem coro de milhares de vozes nos estádios de Curitiba gritando Fora CBN. Isso não é nada bom para a credibilidade de uma rádio dedicada ao jornalismo.
Mas a gota dágua na briga entre o jornalismo e a programação esportiva aconteceu durante a Copa do Mundo da França. Contrariando as recomendações da ética, a equipe de esportes da CBN passou a fazer transmissões, principalmente nos dias de jogos do Brasil, como se estivesse na França, quando não tinha licenciamento para tal e fazia sua programação de Curitiba mesmo.
A história chegou aos ouvidos da direção nacional da CBN, ligada à Rede Globo, que pressionou a emissora local a parar com a enganação. Este hábito de enganar os ouvintes, diaga-se de passagem, não é só da equipe da CBN. O folclore do rádio é permeado de histórias desse tipo, de locutores que se trancam em quartos de hotel ou mesmo nos estúdios para comentar ou narrar jogos que estão acontecendo a quilômetros de distância e, com a maior cara de pau, dizem estar de corpo presente no evento. A CBN nacional teve problemas semelhantes em outras cidades.
Será bom se a mudança de endereço deixar novamente alguns membros - porque também tem gente séria trabalhando ali - da equipe de esportes mais perto da ética profissional. Mas esta é uma recomendação que vale para todas as equipes esportivas de rádio de Curitiba, que estão sempre pendendo para um lado que não é o do jornalismo.


