A folclorização do subcomandante Marcos, a demonização do MST ou a distorção de fatos envolvendo revoltas populares organizadas são práticas comuns na mídia oficialesca.
Para desmontar essas versões, nada como uma jornada de conferências e debates - com a presença de estudiosos e de alguns dos próprios personagens enfocados - como a que está programada para a ‘‘Semana de Ciências Sociais’’, que acontece de amanhã a sexta-feira na Universidade Estadual de Londrina.
O tema desse ano é justamente Movimentos Sociais do Brasil e da América Latina. Um tema, diga-se, tão explosivo quanto fascinante, particularmente para as esquerdas teóricas sem direção. ‘‘Os movimentos sociais vêm ganhando muita força política no continente, paralelamente ao desgate dos partidos políticos. São eles que mais têm enfrentado o neoliberalismo. Por isso, vimos a importância de elegê-los como tema de nossas reflexões’’ - diz o professor Eliel Ribeiro Machado, um dos organizadores do evento.
A ‘‘Semana’’ é uma promoção do Departamento de Ciências Sociais, dos cursos de Pós-Graduação em Sociologia e Sociologia da Educação e do Centro de Letras e Ciências Humanas da UEL. Todas as palestras começam às 19h15 e serão realizadas no CCH, com exceção do dia da abertura.
A programação inclui um prolongamento com a conferência extra do norte-americano James Petras, professor do State University of New York, no dia 2 de junho, quando ele aproveita para lançar o livro Neoliberalismo - América Latina, Estados Unidos e Europa.
Essa conferência estava prevista para a próxima semana, mas acabou transferida por conflitos de agenda. Amanhã, dia inaugural do evento, a professora Maria da Glória Gohn, da Unicamp, e o professor Ricardo de Jesus Silveira, da UEL, fazem um balanço e apontam as perspectivas dos movimentos sociais contemporâneos. O debate acontece no anfiteatro do CCB.
Na terça-feira, já no anfiteatro maior do CCH, o mesmo Silveira aborda os movimentos sociais urbanos e rurais do Brasil dividindo a mesa com professor Paulo Bassani (UEL). Na quarta-feira, a questão agrária no Brasil será esmiuçada por Luiz Antonio Norder e José Flávio Bertero, ambos da UEL. Na quinta-feira, os movimentos sociais da América Latina serão enfocados por Lúcio Flávio R. Almeida, da PUC, de São Paulo.
Na sexta-feira, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Central dos Movimentos Populares (CMP) fecham a jornada de conferências avaliando as atuações das respectivas organizações. As inscrições para o evento podem ser feitas no Departamento de Ciências Sociais da UEL. Mais informações pelo telefone (043) 371-4456.Arquivo FolhaMovimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra: principal movimento social organizado do BrasilNelson Sato

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