A pureza do idioma
Barbara, escocesa; Patrick e Justine, ingleses; Inga, americana; e Katarina, grega. Todos eles se consideram, de certa forma, moradores de Salamanca. A tradição acadêmica da cidade atrai estrangeiros que passam ali meses para aprender a língua de Cervantes. A eles, somam-se os espanhóis que cursam uma das duas universidades, a Pontifícia ou a Universidade de Salamanca. Só nesta última, a mais antiga do país, são 30 mil novos estudantes todos os anos, dando vida à provinciana cidade de 180 mil habitantes.
O que não faltam por lá são flats estudantis, onde a maioria deles mora, ou as casas de família. Mirte, holandesa de 20 anos, preferiu a segunda opção. Assim vejo os costumes, horários, comidas, conversas.
Para Inga, que veio da Califórnia para passar três meses estudando espanhol, a atmosfera estudantil foi o que mais pesou na escolha da cidade. Já a brasileira Carol, de 19 anos, acrescenta o custo de vida, mais baixo em relação às outras no país. Gasto E 300 por mês, diz ela.
O diretor da Don Quijote, Rene de Jong, uma das mais tradicionais instituições entre as mais de 30 especializadas no ensino do idioma para estrangeiros, confirma. Madri e Barcelona são mais caras para viver que Salamanca e Granada.
A tradição de Salamanca para o ensino de espanhol para estrangeiros vai além da atmosfera estudantil que a permeia há oito séculos. Foi na região de Castela e Leão, onde ela está situada, que nasceu a língua de Cervantes, batizada de castelhano. Ostentam, portanto, o fato de falarem o puro espanhol.
Talvez por isso ela esteja sempre na lista das mais procuradas para quem quer aprender o idioma. Na escola Don Quijote, por exemplo, foram 8.625 estudantes só em 2001, sendo 550 deles brasileiros. Quem lidera são os norte-americanos (18%), seguidos pelos alemães (17%), holandeses (11%), ingleses (10%) e brasileiros (9%). Muitos dos estudantes optam, porém, por dividir o curso de espanhol entre Salamanca e alguma outra cidade espanhola, como Madri, Granada ou Valência. Então, passam uma temporada em cada uma.
Para os falantes de língua portuguesa, a direção daquela escola recomenda pelo menos quatro semanas de curso e 12 para aqueles que desejam uma especialização. Mas não é raro cruzar em Salamanca com um brasileiro que resolveu passar mais tempo por lá. Talvez o clima de festas da cidade ajude bastante a prolongar a estada.





