‘‘Não me convidaram/ pra essa festa pobre/ que os homens armaram/ pra me convencer’’
Cazuza
O segredo permanece distante da revelação, assim como a carne não toca a sirene do acaso só por ligeira pressão dos dedos nos textos imersos em tinta. Transbordar mais uma vez. Pisque. Psiquê.
Como abordar um asunto sem domínio que se ligue ao comunique? Como falar a verdade se estamos no mundo dos enunciados? Como dizer se algo é certo ou errado, quando o que vivemos é fluxo. E refluxo e dissolução. Um pensamento que dê conta dos nossos desejos. Ação. Que mais além de sonhar com as estrelas? Ir até lá? Bobagem, temo-as cá.
Quem tá pagando a festa? Quem forneceu a lista de convidados? Quem se interessou pelo insistente chamado da musa? A música, claro!
Vamos retornar ao papo.
Fazer algo que se chama arte, ao invés de. Quer dizer, aqui somos todos criadores. O museólogo, o astrólogo, o artista, o mágico. Aqui somos todos traidores de um desejo que se quer segredo. Oquei, eu mudo.
Tenho um cachorrinho que se chama deus. Ele é fiel!
Pessoas estão na crista da crise e ondas se arrebentam na ressaca do mar chegando à praia. Agora eles já se foram e esqueceram a que vieram. Talvez nem soubessem. O tempo continua a se fazer em dimensão sonora, mesmo que agora não sobre tempo para nenhum papo e operacionalizar a máquina é o fato.
V só! O cara teve a idéia de chamar outros artistas para discutirem o papel do artista que não sabe pra que se serve. Outros vieram. Mas nem sempre foi assim, acho. Antes era o esforço, agora a chama da fama faz flamejar a flâmula do sucesso. Uma beleza. Engessada. Uma estátua. Uma múmia paralisada na porta do museu. Bom dia, senhores visitantes, com vocês o mundo fascinante da arte. Baratas por todas as partes fazem parte do projeto contemporâneo de sujeira no vão dos dedos de dédalo. Cera quente, depila-se as penas. Colonizado, sim, mas pós-modernamente... Não acha que eles sairão bem impressionados daqui? Nossa hospitalidade é comovente! Eu acho.
Querem em letras o q eu só posso vender como idéias acesas. Outras sucumbirão no derradeiro território das imagens. Oh, que legal, q sacada genial! Como vc é inteligente. E esse outro, sensível. E este então, processo, progresso, vamos todos virar star. Esgar, esgarçar com as fronteiras visíveis da representação. Por que, isto aqui não? Quem disse? Um cara burro domina a jogada. O rei da cocada manda chamar os artistas dizendo que ia apoiar uma maluquice que eles inventaram. Claro, sr idéias, nós sabemos chamar atenção. Chamar atenção. Chamar atenção. Qual a carne da arte? Os ossos da realidade? A virtude do virtual? Sei que tudo vira festa, acaba em pizza, atrai bons negócios. Chance de lucro. É tudo uma maravilha! Eles é que se dão bem. Neguinho é malaco, só!
Aí depois vem a responsa, pagar aluguel, virar papai-noel de uma barriga q não pára de ter filhos e neguinho se injuria: qualé o meu? Vou ser doutor.
Vamos falar direito a torto as coisas q não dão mais. E as que dão: no museu do mundo, o tudo. Contudo, com tudo vira conteúdo. Questão formal. Onde não há mais o que caber, sobra querer do lado de fora. Mas nessa hora, a essas alturas, mensagens cifradas. Quem quiser descubra.

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