Na medida em que os meses vão passando, neste 1999, cresce a tensão diante das previsões sobre o ‘‘fim dos tempos’’. Hoje já se divulga muito a informação segundo a qual o século, assim como o milênio, não acabam no último dia de dezembro deste 99. Mas o fato é que há uma mudança, em janeiro começa o ano 2000 e tem gente que insiste em que este é o sinal, a passagem de 1999 é que será o momento da transformação.
Se há alguns anos esta questão instigava, agora se torna ainda mais presente. E o livro ‘‘A Profetisa’’, de Barbara Wood, nos coloca precisamente nos dias que precedem o final deste ano. Começa precisamente na terça-feira, 14 de dezembro de 1999. E embora a edição original, em inglês, tenha sido lançada em 1996, a tradução brasileira só chegou nas livrarias em 98 e é neste início de 99 que começa sua carreira.
O livro, porém, não aborda o temor sobre o eventual fim do mundo no último dia de dezembro. Vai bem além. ‘‘A Profetisa’’ é o resgate de uma história ocorrida há 2 mil anos que é literalmente desenterrada por uma arqueóloga, no deserto do Sinai, exatamente 17 dias antes do final do ano. O encontro de seis pergaminhos, possivelmente escritos nos primeiros anos da Era Cristã, é o tema que conduz toda a narrativa. O documento pode ser exatamente aquilo que os religiosos procuram há tanto tempo, algum tipo de documento real que possa provar inequivocamente os fatos narrados na Bíblia. Mas pode, também, contestar tudo aquilo.
Logo, a descoberta da arqueóloga se torna o centro de disputas intensas que envolvem não apenas interesses religiosos mas também a cobiça de governos e de colecionadores, alguns dos quais dispostos a qualquer coisa para conseguir a posse daqueles tesouros.
Bem atual, o romance também não prescinde do hoje onipresente mundo da informática, com pesquisas e até perseguições pela Internet aumentando a emoção do leitor. É o passado trazido ao presente e ensejando disputas que superam o mundo físico para invadir o ciberespaço.
Muito bem escrito, com personagens fortes, com uma narração inteligente que mantém o interesse, tanto no que diz respeito à luta da arqueóloga para manter os papiros, tanto na parte relativa ao que eles vão revelando, ‘‘A Profetisa’’ é leitura agradável, intensa, instigante e que prende a atenção. Ah, sim, e que revela também, no final, quando será mesmo o fim do mundo.

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