A produção de 'saia-justa'
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quinta-feira, 08 de maio de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Vamos às compras: mortadela, frango assado, ovos cozidos, linguiça, morango, damascos ou ameixas, 500 gramas de macarrão, tomates bem vermelhos, vinho tinto, mel, mostarda, torrada e... Bem, se faltar alguma coisa é só solicitar por escrito que a equipe de produção do 36º Festival Internacional de Londrina certamente irá providenciar. Afinal, essa é função de seis pessoas que precisam dar conta das exigências ou pedidos, como queiram dos grupos participantes do evento. E até agora tudo está dentro dos conformes, digamos assim. ''Tranquilo não é. É tudo corrido, agitado e precisamos ter agilidade para negociar, comprar, encontrar os objetos solicitados'', diz José Maria Pereira Júnior, coordenador de produção do Filo.
A correria começou há três semanas, prazo razoavelmemte confortável em relação, por exemplo, à edição do Filo 2002. ''Do ponto de vista técnico, as produções neste ano estão menos complexas'', diz Fernando Jacon, diretor técnico do Festival. Para tanto, o número de pessoas que trabalham na produção é menor em relação a outros anos, porém ágil. Isso se deve também ao orçamento enxuto com que a direção do festival está trabalhando nesta edição. Para melhor eficácia, duas pessoas foram exclusivamente encarregadas de fazer orçamento e levantamento de preços dos itens.
Para os produtores as frases ''não dá'', ''não deu'' ou ''talvez não dê'' estão fora de cogitação. ''Temos que conseguir tudo, mesmo que seja preciso buscar em outros lugares fora de Londrina'', afirma José Maria. Em São Paulo, por exemplo, será adquirida uma certa variedade de fogos de artifício não encontrada em Londrina. Guindastes para retirar um contêiner de 13 toneladas da companhia The Lunatics, da Holanda, virão de Maringá.
Aliás, os integrantes desta companhia até agora fizeram os pedidos, literalmente, mais pesados. Além dos guindastes, solicitaram 30 metros cúbicos de areia o que corresponde, aproximadamente, a cinco ou seis caminhões abarrotados daqueles em que a carroceria chega até transbordar tamanha a carga. Até aí, tudo bem. O que o The Lunatics não conhecia era o famoso jeitinho brasileiro de resolver os problemas em vez do gás propano puro listado, a produção do Filo optou por gás de cozinha para os efeitos de explosões que farão parte da megaprodução que acontece no aterro do Lago Igapó 2, de 22 a 24 de maio.
A exigências, às vezes, chegam a ser risíveis. Mas é preciso cumprir as ordens e arrumar, vejam só, um cabeleireiro para fazer escova nos cabelos de uma atriz da Cia. São Jorge de Variedades, do Rio de Janeiro. Já o conterrâneo grupo Amok Teatro quer porque quer 300 livros antigos (capa dura, de couro, de vários tamanhos, mas antigos) para a encenação de ''Carta de Rodez''. Uma quantidade razoável de tapetes e almofadas de tamanhos diferentes é o que será necessário para o espetáculo-instalação ''Portraits Dansés'', do grupo francês Clara Scoth liderado por Philipe Jamet.
Detalhe curioso: na edição deste ano, cinco espetáculos requisitaram projetores dos mais variados tipos e foram atendidos. Enfim, não será por falta de objetos, máquinas, produtos hortifrutigranjeiros e outras 'cositas mas' que os espetáculos do Filo 2003 deixarão de embevecer platéias.


