O público e os fãs têm a seguinte imagem da atriz norte-americana Sharon Stone: acham que ela é muito sexy, extremamente ambiciosa e que faz qualquer coisa para ter publicidade. Mas Sharon Stone gostaria que as pessoas soubessem que ela não é tão ambiciosa assim e não gosta de publicidade. A atriz, na realidade, se aborrece muito com a imprensa, com exceção de seu marido jornalista.
Sharon Stone também é muito religiosa. ‘‘Eu realmente entreguei a minha vida a Deus e eu sei que é por isso que hoje estou bem e em paz’’, afirmou a atriz. Seu último filme, ‘‘The Mighty’’, tem recebido algumas críticas excelentes.
‘‘Eu sou religiosa, provavelmente para muitas pessoas eu sou extremamente religiosa’’, afirmou a atriz, que completou 40 anos em março e é casada com o executivo de jornal Phil Bronstein.
‘‘A religião não é algo que eu nunca tenha falado. Simplesmente é algo que as pessoas não se interessam em saber a meu respeito’’, acrescentou Sharon Stone, que ultimamente parece querer mudar a imagem de pessoa extravagante, sempre volúvel, que ela apresentava no início dos anos 90, embora ninguém possa confundi-la com uma freira. ‘‘Eu acho que quando as pessoas me imaginam conversando com Deus, elas me vêem sendo muito chata, quadrada e julgadora’’, afirmou com um sorriso.
Sharon Stone afirmou que não possui um vínculo com nenhuma religião. ‘‘Eu acredito em Deus, mas eu pratico o Budismo’’, disse a atriz, que gosta de rezar quando está trabalhando no set de filmagem. ‘‘Eu nunca tive um problema quando rezava no set’’, afirmou Stone, estrela e co-produtora do filme ‘‘The Mighty’’, um drama sobre a amizade de um menino deficiente físico, mas com um Q.I. acima do normal, com outro deficiente mental.
Antes de alcançar o sucesso em 1992, com o papel de uma sexy serial killer em ‘‘Basic Instinct’’ (‘‘Instinto Selvagem’’), a atriz batalhou durante anos, fazendo um filme ‘‘B’’ atrás do outro. ‘‘Basic Instinct’’ transformou Stone num dos rostos mais conhecidos em todo o mundo, mas a atriz ainda teve de lutar muito para ser levada a sério pelos críticos. Esse reconhecimento veio em 1995, com o filme ‘‘Casino’’, que ela considera o seu melhor trabalho.
Sua atuação no filme de Martin Scorsese, um drama ambientado em Las Vegas, como a prostituta viciada em drogas que se casa com um gângster, rendeu a Stone críticas entusiasmadas, o Golden Globe de melhor atriz e uma indicação ao Oscar.
Nenhum de seus filmes posteriores, incluindo o remake do clássico de 1954 ‘‘Diabolique’’ (96) e ‘‘Last Dance’’, onde ela se desfaz de sua imagem glamourosa para interpretar o papel de uma assassina condenada à morte, a aproximaram do sucesso de ‘‘Instinto Selvagem’’.
Mas Stone, descrita por algumas pessoas de Hollywood como extremamente ambiciosa, parece ter se tornado uma pessoa mais filosófica com a maturidade. ‘‘Eu aprendi a não me agarrar ao sucesso, porque se você se apegar a qualquer momento de seu passado você ficará incapaz de experimentar qualquer coisa que venha a ocorrer no presente. Certamente, para um artista, o único presente que você pode dar é o momento presente. Portanto, eu aprendi a deixar as coisas fluírem’’, afirmou.
Por isso, Stone recusou uma proposta para voltar a interpretar seu mais famoso personagem - a serial killer Catherine Tramell. ‘‘Eu recusei a chance de rodar uma sequência de ‘‘Instinto Selvagem. Eu não acredito que isso seja oportuno no momento... e eu estou certa que não é oportuno para mim’’, disse a atriz. ‘‘Eu adoro papéis grandiosos, selvagens, mas também gosto de personagens mais sutis, delicados’’, completou.
Sharon Stone nasceu em Meaville, na Pensylvania, de onde saiu logo após se formar no colegial, para tentar a carreira de modelo em Nova York, no final dos anos 70. Na década de 80, fez sua estréia no cinema, numa rápida participação em ‘‘Stardust Memories’’, de Woody Allen, onde ela interpretava o objeto de desejo inalcançável que o ator/diretor Allen observava sempre nas suas viagens de trem.
A atriz sente que sua carreira e sua pessoa passaram por diversos estágios até o presente momento. ‘‘Eu sinto como se tivesse passado por diversas encarnações e que eu me encontro agora na minha terceira vida. Quando eu olho minhas fotos é como se eu visse três mulheres diferentes’’, afirmou Stone, cujos cabelos curtos realçam o rosto de milhões de dólares e dão um perfil mais sofisticado e maduro em relação ao visual sexy juvenil do passado.
‘‘Eu pareço tão diferente do que sou. Quando eu me vejo nessas fotos eu me sinto menor, mais vulnerável e mais frágil, porém pura’’, afirmou.
Perguntada se essa sua encarnação mais serena é resultado de seu novo casamento, Stone respondeu: ‘‘Eu tenho certeza que o casamento representa grande parte disso, mas eu fiquei um ano sozinha (antes de conhecer Bronstein) e eu aproveitei esse tempo para ficar comigo mesma, com a minha família e amigos. Eu provavelmente nunca teria encontrado Bronstein se eu não estivesse vivendo naquele momento um período de transição. Provavelmente, eu precisei ficar mais forte para para me sentir mais segura para ser vulnerável.’’
O casamento certamente a fez se sentir mais vulnerável se considerarmos um aspecto de sua vida - com a volta das especulações na imprensa a respeito se ela está pronta ou não para assumir o papel de mãe. A atriz estava furiosa no mês passado com uma reportagem publicada especulando que estivesse grávida.
‘‘Não apenas eu não estou grávida, como quero deixar claro que somente a parte externa do meu corpo é que faz parte da minha imagem pública e, portanto, está disponível para a imprensa’’, afirmou Stone em uma nota oficial divulgada no dia 28 de setembro, pela sua assessoria de imprensa.
Na entrevista concedida à Reuters, semanas após o incidente, a atriz disse que o fato de estar casada com um jornalista não alterou seu modo de ver a imprensa - mas esse fato certamento afetou o ponto de vista de seu marido em relação ao jornalismo. ‘‘Uma vez que meu marido é um jornalista, sua impressão em relação à mídia mudou muito mais que a minha. Hoje, ele é incapaz de defender certos pontos’’, afirmou a atriz.

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