À procura da diversidade musical
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Ficar em cima do muro, quando o assunto é inclusão ou exclusão social, assume um papel importante na educação musical, já que essa é a melhor fronteira para ouvir o que vem dos dois lados - representados pelo conhecimento erudito e manifestações populares.
Entre os que enxergam no horizonte essa possibilidade, a antropóloga Regina Novaes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que abriu, na semana passado, o 13º Simpósio Paranaense de Educação Musical (SPEM), com o tema ''Educação Musical e Políticas Inclusivas'', de Londrina (FML), estende ainda mais o olhar sobre o assunto: ''É preciso que o educador escute e converse com os dois lados. Se não perceber outras possibilidades não estará fazendo o seu papel de fomentador'', afirmou a antropóloga Regina Novaes.
Durante a conferência, a antropóloga pôs um grilo na cabeça dos participantes ao propor um desafio para o educador musical: ''É preciso fazer da palavra 'diversidade' algo como um grilo falante, como se fosse um desafio. Falar de amor não é amar. Na nossa sociedade estamos acostumados a falar de diversidade e não exercemos a diversidade'', comentou.
A antropóloga concentrou o papel da música num momento histórico importante, podendo permitir o intercâmbio e a negociação entre diferentes culturas, que estão nos dois lados do muro em que é dividida a sociedade, principalmente entre os jovens, os protagonistas da Educação Musical.
Regina lembrou que a juventude atual convive com as marcas dessa geração, que a antropóloga resume em um medo de sobrar - uma consequência do ritmo dos avanços tecnológicos, que tornou o mercado de trabalho predador em que as pessoas precisam estar preparadas para não ficar sobrando. ''Outro medo é da morte, principalmente de forma violenta, e o temor de sentir-se desconectado num mundo conectado. São laços sociais, que o educador musical e o gestor de políticas públicas devem levar em consideração. As políticas inclusivas bebem de uma realidade para além de tudo isso'', afirmou Regina.


