A primeira vez é inesquecível!
Celso Mattos
De Londrina
Especial para a Folha2
A década de 90 foi palco do ressurgimento de muitos gêneros que estavam esquecidos ou desgastados em Hollywood. Basta lembrar de Dança com Lobos e Os Imperdoáveis, que reavivaram o faroeste, além de Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado que trouxeram o terror de volta às telas. Eis que no último ano da década, a indústria hollywoodiana resolveu reciclar a fórmula das comédias para adolescentes sobre sexo que infestaram os cinemas nos anos 80 como Porckys, O Último Americano Virgem e A Primeira Transa de Jonatham.
É nesta inesgotável fonte de referências que American Pie se abastece. Apesar do filme caprichar nas piadas de baixo calão, existe uma pequena dose de ironia e inteligência na história dos amigos Jim (Jason Biggs), Oz (Chris Klein), Kevin (Thomas Ian Nichols) e Finch (Eddie Kaye Thomas), quatro adolescentes que fazem um pacto para perder a virgindade antes do baile de formatura de segundo grau. Ao longo do filme, este grupo de amigos passa por situações hilariantes e constrangedoras.
Enquanto os rapazes adotam estratégias absurdas em buscas das primeiras experiências sexuais, as garotas igualmente ansiosas não são apenas peças de decoração. Têm os mesmos desejos dos meninos em experimentar de tudo antes de encarar o mundo. Aliás, esta é uma das grandes inovações que American Pie traz ao gênero. As garotas não são tratadas como meros objetos sexuais, mas como pessoas realmente interessantes, decididas e engraçadas.
Ao contrário das outras comédias do gênero, a garotada de American Pie é um poço de insegurança. Eles parecem com gente de verdade, com todas as dúvidas que um adolescente tem antes de encarar a vida adulta. O sexo é apenas uma parte dessa mudança, que vem acompanhada de responsabilidades, separações e escolhas. Em tempos politicamente corretos, American Pie segue uma linha anárquica. Mexe tanto com os valores americanos que precisou ser editado quatro vezes para receber a classificação R (permitido para menores de 17 anos), nos Estados Unidos. Lançamento da Paris Filmes. Duração: 95 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
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Julia Roberts e Hugh Grant: interpretando eles mesmos
Um Lugar Chamado Notting Hill
Bolada pelo mesmo time de Quatro Casamentos e um Funeral, a comédia Um Lugar Chamado Notting Hill brinca com a imagem de uma megaestrela. Julia Roberts vive sua cópia fiel, a badalada atriz Anna Scott. Perseguida pela imprensa e endeusada pelos fãs, ela vai parar no pequeno subúrbio de Notting Hill, na Inglaterra. Lá acaba entrando na livraria de William Thacker (Hugh Grant) um homem cujos os negócios estão à beira da falência. E como não poderia deixar de ser, o amor improvável entre duas pessoas tão opostas acaba acontecendo.
O roteiro de Um Lugar Chamado Notting Hill é bobinho e a situação vivida pelo casal não tem nada de engraçada. Por essas e outras razões, é difícil explicar o porquê do filme ter feito tanto sucesso. Tudo na fita gira em torno de uma mesma piada: os problemas enfrentados por um simples comerciante que do dia para noite começa a ter um caso com uma estrela de cinema. Tanto Julia Roberts quanto Hugh Grant interpretam a eles mesmos. Quem rouba cena algumas vezes é o desconhecido Rhys Ifans, que faz o estranho e nojento Spike, o amigo que divide o apartamento com Thacker. Mesmo assim, sua interpretação é bastante caricata e de mau gosto.Lançamento da CIC. Duração: 123 minutos.
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Filme foi um grande fracassso e quase abalou a carreira do ator Will Smith
As Loucas Aventuras de James West
Esta adaptação da série James West para o cinema é o maior exemplo de filme comitê. Embora Barry Sonnefeld, que fez o divertido Homens de Preto, assine a direção, cada cena, cada diálogo e cada elemento do filme foram planejados pelos executivos da Warner para dar dinheiro. O resultado foi um desastre. As Loucas Aventuras de James West foi considerado o pior filme de 99 e acabou abalando a carreira de Will Smith. Uma espécie de 007 no Tempo das Diligências, o filme é uma comédia que não faz rir e, sim, chorar de tão ruim. Quem alugar a fita para assistir com o amigo, a namorada ou com a famíla, lá pela metade do filme se sentirá no dever de pedir desculpa pelo programa de índio. Esta megaprodução que tinha pretensões de ser um blockbuster é, na verdade, uma tremenda bomba. Lançamento da Warner. Duração: 107 minutos.





