A primeira Helena negra
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ana Carolina Rodriguese Janaína Nunes<br> Folhapress 
Quando uma produtora da Globo ligada a Manoel Carlos telefonou para a casa de Taís Araújo, 30 anos, perguntando se ela poderia passar o telefone da atriz para o autor, quem atendeu foi ela mesma e sua resposta foi imediata: ''É para ontem, minha filha!''. É com esse jeito de moleca que a bela encara o desafio de interpretar, em ''Viver a Vida'', a primeira Helena negra de Maneco, como o autor é chamado, assim como a primeira protagonista negra de uma novela das oito da Globo.
Nem é preciso dizer que Taís está radiante. ''É delicioso! Estou gravando há dois meses. Temos feito cenas bem felizes, os diretores são supercuidadosos e é uma história de amor linda e cheia de conflitos'', conta a atriz, ansiosa para a estreia, no dia 14 de setembro.
Por conta da personagem, Taís está com uma rotina bem puxada, gravando sem parar. A bela conversou com a imprensa enrolada em um roupão, durante o intervalo de uma cena, em Búzios. Eram 22h30, e a gravação estava longe de acabar. Desde às 18h, gravava com roupas mínimas - primeiro usou um biquíni laranja e, depois, um chiquérrimo maiô branco.
Sua Helena é uma modelo de sucesso beirando os 30 anos. Na cena citada acima, que será uma das primeiras de ''Viver a Vida'', ela atua como a estrela de uma campanha de verão desfilando em uma passarela que simula um aquário - o que deu um trabalhão para a atriz, que escorregou várias vezes. Sua quase rival Luciana (Alinne Moraes) morre de inveja e, depois de muito brigar, fecha o desfile e leva um inesquecível tombo. A implicante modelo é filha de Marcos (José Mayer), que está no local e por quem Helena se apaixona.
Apesar dos escorregões na passarela, a atriz estava de bom humor. ''Foi bom porque é bem coisa de modelo. Já fiz alguns trabalhos fotográficos, mas não desfilava porque sou baixa (ela tem 1,63 m). Precisei fazer três dias de aula de passarela, mas não adiantou nada!'', diverte-se. Apesar das brincadeiras, ela confessa que pintou uma insegurança na hora de gravar cenas com trajes de banho. ''Quando entrei na passarela, pensei: quem foi que me colocou de biquíni aqui? Mas Deus ajuda, né?'', comenta.
Para viver sua Helena, a atriz sabe que terá de ralar muito. ''Fiz um ''Superbonita' (o programa que apresentava no GNT) especial com as Helenas do Maneco. Conversei com a Christiane Torloni pessoalmente, e ela me disse que a Helena é um clássico da TV, mas que o que pega mesmo são as horas de trabalho. O que significa ser Helena a gente só consegue ver depois'', diz.
Mas o significado de viver uma protagonista negra ela sabe e exalta. ''Não posso levantar bandeira sobre o assunto porque tive todas as oportunidades, mas não tenho como negar que o mercado para atores negros era mais fechado, e também não dá para negar que esse mercado está se abrindo. O próprio fato de fazer uma Helena de Maneco, que era um sonho meu muito distante, já é um passo significativo. Aliás, é bom lembrar que neste ano serão duas atrizes negras protagonizando novelas, eu e a Camila Pitanga (que fará a próxima novela das seis, ''Cama de Gato').''


