Um embolado de fitas, linhas entrelaçadas e pequenos objetos embutidos nesse emaranhado dão vida a dois personagens: uma avó e sua neta. Mas, na verdade, podem ser o que a imaginação permitir - um cachorro bravo, uma mochila, um bichinho de pelúcia, uma pedra no meio do caminho. Na "História Aberta", metodologia criada pela contadora de histórias Kiara Terra, os objetos transformam-se conforme o olhar do público. "Um sifão pode ser uma antena, uma luneta; um desentupidor pode ser uma taça ou um chapéu; um lenço pode ser um capote de toureiro ou até mesmo um microfone. Tudo depende da forma como é apresentado; as histórias estão em todo lugar", diz Kiara, que há seis anos organizou seu método e passou a viver uma intensa jornada, mostrando novas maneiras de lidar com a palavra escrita e a narração a educadores de todo o Brasil.
Para ela, tudo é repertório para uma história que possui começo certo, mas um desenrolar com muitas possibilidades. Isso é possível porque, a partir da história aberta, a construção é colaborativa, ou seja, o público passa de espectador para participante ativo e coautor do processo. "As histórias das contações que realizo são feitas das histórias da vida das pessoas. Porque, de alguma maneira, todas elas estão conectadas. Nesse momento, há um reencontro de histórias, em que se cria uma cumplicidade entre os participantes, seja quando se veem rindo ou chorando diante de uma mesma situação que se identificam. Isso é pertencimento; aquela história tem que caber na vida da pessoa. Contar histórias, antes de tudo, é criar vínculos", ensina.
Kiara, portanto, usa e abusa de sua habilidade em reter a atenção, sobretudo das crianças, ao mesclar música, história, perguntas e encenação. Uma verdadeira "showgirl" de pensamento rápido e muito jogo de cintura para improvisar, principalmente porque, não corriqueiramente, surgem as respostas e interjeições das mais inusitadas. "Na apresentação eu não uso maquiagem ou fantasia. Sou eu, ali, na frente, totalmente despida de qualquer artifício. Primeiramente, exponho minha história e, assim, as pessoas sentem-se à vontade para compartilhar as suas também."
Para que tudo isso aconteça, ela conta, escuta e conduz. Como cada público tem um perfil diferente, depois do contato inicial, ela escolhe um enredo de seu vasto repertório para conduzir a narração.
Em Londrina, o ponto inicial foi avó e neta. Daí em diante, a história ganhou vida própria a partir das histórias de vidas das pessoas ali presentes. Novos personagens e objetos apareciam a cada momento, como uma coruja, uma amiga da França, um bolo todo enfeitado que alguém come, tudo devidamente "amarrado" por Kiara, que pincelou com doses de humor trazendo situações do dia a dia vivenciados por pais e filhos.
Um dos pontos altos da performance, por exemplo, foi quando ela encenou "sete tipos de choro", arrancando risos do público, tanto crianças quanto adultos que, imediatamente, se identificaram com a cena. Ao final, a contadora agradeceu pela "história que criaram naquele momento".

Espaço para o diálogo
A contação de histórias de Kiara Terra para pais e filhos foi realizada para marcar a inauguração do Espaço de Formação da Escola Apoena, em Londrina, onde também foi realizada uma oficina para educadores e pais com a profissional. "Ao longo desses doze anos de atividade, como parte de nossa busca constante por aperfeiçoamento, sempre participamos de cursos de profissionais renomados em outras cidades que nos possibilitassem ampliar nossos conhecimentos sobre educação. Achamos que Londrina merecia ter um espaço para que esses mesmos profissionais viessem para cá. Com a concretização desse projeto ganham todos, escola e comunidade, que, agora, também terá a oportunidade de participar das palestras, cursos e oficinas", diz a diretora Gisele Favoretto.
O espaço em questão foi totalmente projetado para que os participantes do curso tivessem a mesma experiência que os alunos da escola. Salas com decoração descontraída feita com trabalhos artísticos dos alunos e disposição de cadeiras sem formato fixo são apenas alguns dos detalhes. Tudo pensado de forma que haja estímulo da criatividade e interação do conhecimento. "Assim como as crianças são protagonistas do seu conhecimento, pois acreditamos na educação ativa e transformadora. Junto com os profissionais, os participantes poderão debater e refletir sobre caminhos diferentes na vida e educação das crianças. A maneira como o espaço foi projetado favorece o diálogo", destaca.
A programação do primeiro semestre do Espaço de Formação Apoena já está praticamente fechada e as duas próximas ocorrem nos dias 30 de abril e 21 de maio, com Julia Pellegrini, sobre alimentação, e Lino de Macedo, sobre como aprender com jogos e situações-problema. (M.T.)

Serviço
Bate-papo "Alimentação", com Julia Pellegrini
Quando - 30 de abril, às 8h30
Quanto - Gratuito

Oficina "Aprender com jogos e situações-problema", com Lino de Macedo
Quando - 21 de maio, às 8h30
Quanto - R$ 130
Informações - (43) 3342-0296 e [email protected]

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