São Paulo, 04 (AE) - Lewis Carrol, autor de "Alice no País das Maravilhas", disse certa vez que o conto de fadas é um presente de amor. O diretor Vladimir Capella concorda com a afirmação e, nos últimos anos, vem seguindo à risca o dito do escritor inglês, dando várias provas de amor ao público na forma de belos espetáculos. Seu último presente foi "Clarão nas Estrelas", superprodução escrita e dirigida por ele que tem reestréia sábado, no Teatro Popular do Sesi , em duas sessões, às 11 e às 14 horas.
O espetáculo - que custou R$ 800 mil - é mais uma obra- prima do aclamado autor teatral. Desta vez, ele usa 18 atores e cenários e figurinos de J.C. Serroni para narrar um mágico conto de fadas que ganhou cinco prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA): grande prêmio da crítica, melhor cenografia, música (Dyonísio Moreno), atriz (Selma Egrei) e iluminação (Davi de Brito).
"Clarão nas Estrelas" é a terceira parceria de Capella com o Sesi, que já rendeu sucessos como "Maria Borralheira" e "Píramo e Tisbe". Se antes usou como referência obras de mestres da literatura infantil, como Monteiro Lobato e Hans Christian Andersen, nesse trabalho o diretor criou o próprio universo, mesclando ingredientes básicos de um bom conto de fadas - a bela e sofrida heroína, o príncipe e a rainha má - com um argumento original. "É um conto de fadas com final feliz e a batalha da bondade contra a maldade", descreve.
O espetáculo sofreu algumas mudanças no elenco. Sete atores foram substituídos, entre eles Ricardo Garcia Marques, que interpretava o príncipe. O personagem agora será vivido por Luciano Schwab. Na história, o príncipe sofre de uma misteriosa doença causada por um encantamento. Quando começa a perder as esperanças, surge a jovem e bela Maria, faxineira do castelo que, apaixonada pelo príncipe, decide ajudá-lo. Com isso, desperta a ira da rainha (Selma Egrei) e suas cinco filhas. Depois de passar por várias provas impostas pela rainha, Maria finalmente liberta o amado do encantamento.
Para Capella, "Clarão nas Estrelas" é um espetáculo para "crianças" dos 8 aos 80 anos. No entanto, ele ressalta que o principal alvo é, logicamente, o público jovem. "É importante não perder a criança de vista, mas também é necessário criar outras possibilidades de leituras por meio de uma dramaturgia mais complexa", argumenta Capella. "Clarão nas Estrelas" é um tapa na cara dos que consideram teatro infanto-juvenil um gênero menor, sejam atores, produtores, diretores ou o próprio público. Quem tiver dúvidas, basta conferir.

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