São Paulo, 15 (AE) - Com a atriz Leona Cavalli como protagonista, o espetáculo mais premiado da temporada teatral, "Cacilda!" - vencedor dos prêmios APCA e Shell nas categorias autor, diretor e atriz, entre outras - reestréia amanhã (16) no Teatro Oficina, em São Paulo. Escrita e dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa, vencedor também do Prêmio Multicultural Estadão deste ano, a peça inspira-se na trajetória da atriz Cacilda Becker (1921- 1969).
Se não é pequeno o desafio de interpretar Cacilda, um dos maiores mitos do teatro brasileiro, ele é ainda maior nesse caso. Afinal, nesta nova temporada, Leona substitui a aplaudida atriz Bete Coelho, criadora do papel. Mas ela está longe de parecer insegura. Até porque, está voltando à casa, uma vez que integrou o elenco do Teatro Oficina durante três anos, atuando em peças como "Hamlet", "Mistérios Gozozos" e "As Bacantes".
Ela credita sua saída do Oficina ao desejo de buscar novas experiências e não se arrepende. "Hoje minha relação com o grupo evoluiu não só no aspecto humano, mas também artístico; as relações humanas ganharam outra dimensão emocional, todos nós estamos mais amadurecidos, os ensaios correram bem e eu estou muito feliz".
Ela lembrou que chegou a ensaiar na fase inicial de "Cacilda!", mas saiu para atuar em "Viva o Demiurgo". E afirma não temer comparações. "São interpretações completamente diferentes, a minha é mais emocional". Sua paixão por Cacilda é antiga. Gaúcha, formada em teatro pela Universidade do Rio Grande do Sul, ao chegar a São Paulo em 1991, leu o livro de Maria Thereza Vargas, "Uma Atriz: Cacilda Becker" (Editora Perspectiva). "Cacilda foi minha fonte de inspiração e recriei o papel inteiro a partir de minha sensibilidade".
Nada foi alterado no texto ou na concepção geral do espetáculo que inicia com a morte da atriz, provocada por um aneurisma cerebral, para em seguida retornar no tempo e recontar a trajetória da atriz desde a infância em Santos, quando ainda desejava ser bailarina. No segundo ato, Cacilda rediviva encena com o Oficina "A Gaivota", de Chekhov, projeto abortado, segundo o diretor, com a morte precoce da atriz.

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