A preço de banana
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Luiz Claudio Oliveira Sucursal de Curitiba 
ReproduçãoMachado de Assis: obras completas nas bancas de revistasO Brasil é um país que não lê! O preço do livro está muito alto! Estas afirmações que se tornaram lugar comum em qualquer roda de discussão cultural - desde o boteco da esquina até a mais rica universidade - estão se transformando numa página virada na história da editoração brasileira. Desde agosto do ano passado a Editora Ediouro vendeu cerca de 135 mil exemplares da coleção Clássicos de Ouro em que textos clássicos chegam às mãos dos leitores ao preço de R$ 1,80. Ou seja, muito mais barato que a entrada de um cinema.
Na semana passada, a Editora Globo colocou nas bancas o primeiro volume das Obras Completas de Machado de Assis. Ao todo serão 31 livros lançados semanalmente nas bancas de revistas. Serão apresentados os romances, contos, crônicas, poemas e até mesmo correspondência escrita pelo criador de Capitu. Isso seria por si só uma ótima notícia não fosse uma qualidade a mais: o preço de apenas R$ 9,90 por exemplar. As edições não são de bolso pois vêm encadernadas com capa dura.
150 mil exemplares A editora Globo começou a coleção lançando simultaneamente os livros Dom Casmurro e A Mão e a Luva, os dois pelo preço de um. O lançamento deste semana é Memórias Póstumas de Brás Cubas. A expectativa da editora é ultrapassar os 150 mil exemplares em vendas da coleção. Nada mal para um país que vive de edições que mal chegam aos 2 mil exemplares.
A coleção de bolso Clássicos de Ouro, da Ediouro, já lançou 23 livros desde agosto do ano passado, todos ao preço único de R$ 1,80. Até meados de fevereiro tinha atingido o número de 133.564 exemplares vendidos. Isso dá uma média de quase seis mil exemplares vendidos para cada lançamento. O livro que teve maior aceitação popular até agora foi o Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes, que vendeu 24.960 unidades até a semana passada. Nada mal para algo que não tem quase nenhuma divulgação.
A Ediouro lançou nesta coleção autores consagrados, como Shakespeare (Julio Cesar, em janeiro), Balzac (O Xale de Selim e outro Contos, em novembro), Oscar Wilde (O Crime de Lorde Arthur Saville e Outros Contos, em outubro), Dostoiewski (Noites Brancas e A Árvore de Natal na Casa do Cristo, em setembro, Franz Kafka (Um Artista da Fome e A Metamorfose, em setembro) e outros.
Brasileiros Da literatura brasileira foram lançadas obras de Machado de Assis (O Alienista, em agosto), Nelson Rodrigues (A Dama do Lotação e outros contos e crônicas, em agosto), Lygia Fagundes Telles (A Confissão Leontina, em outubro), Lima Barreto (O Homem Que Sabia Javanês e outros contos, em novembro), Manuel Bandeira (Vou-me Embora Para Pasárgada, em janeiro), Millor Fernandes (Amostra Bem Humorada, em fevereiro) e outros.
Para março, a Ediouro prevê os lançamentos de Édipo Rei, de Sófocles; Entre o Sertão e a Sevilha, de João Cabral de Melo Neto; Plebiscito e outros contos, de Arthur Azevedo; e A Aposta e outros contos, de Tchekov. Para abril, já estão programados A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi; Algumas Flores do M, de Baudelaire; e dois títulos ainda a serem definidos, um de Alexandre Dumas e outro de Affonso Romano de SantAnna.
Para quem gosta de literatura, principalmente dos clássicos, é chegada a hora de, no caminho da livraria dar, uma desviadinha e parar na banca de revistas, onde poderá encher os bolsos. Mas não dá para tirar a livraria do roteiro porque, pelo menos por enquanto, os lançamentos ainda são exclusividade dela.


