O sol ameaça aparecer, mas logo a nebulosidade se intensifica sobre Lima. A capital peruana tem um clima incomum. Embora não chova no local há décadas, o tempo fica constantemente nublado. A cidade mantém uma iluminação acinzentada que se torna mais clara nas encostas que beiram o Pacífico.
O acesso ao mar não é simples. Situada em uma escarpa, Lima obriga os habitantes a alcançarem o oceano por passagens específicas. Devido à falta de chuvas, não há telhados nem sistemas de escoamento. Nessa região desenvolveram-se civilizações pré-incaicas - a presença dos Incas não foi tão forte na cidade como em outros pontos do Peru.
Lima apresenta as contradições de uma metrópole com 6 milhões de habitantes. Carros de última geração convivem com verdadeiras antiguidades, prédios de arquitetura moderna se destacam entre casarões coloniais e a simplicidade da periferia.
Mas a cidade revela atrativos. Um dos principais é o Museu Oro Del Peru, uma espetacular coleção privada de artefatos da civilização Inca e pré-incaica. Ali estão reunidos brincos, colares, roupas, armas, tapetes e vasos confeccionados em ouro, além de algumas múmias. São 25 mil objetos que explicam a rígida segurança do local.
Foto: Ranulfo PedreiroShopping Playa: compras nas encostas do PacíficoO museu expõe também uma grande coleção de armaduras e armas coloniais. Entre as peças mais interessantes está um crânio pré-incaico que sofreu duas intervenções cirúrgicas. Uma delas foi lacrada com ouro derretido.
No centro da cidade está a Plaza de Armas, cercada por casarões coloniais, onde habitaram os descendentes de espanhóis e hoje são ocupados pelo comércio. Os casarões estão em bom estado de conservação, e a construção da praça foi determinada pelo fundador da cidade, Francisco Pizarro, que ordenou ainda a edificação do Palácio do Governo e da Catedral - que também se destacam pela arquitetura. O ar aristocrático que permeia esta região é proveniente de sua origem. Lima foi capital do vice-reinado e se tornou centro administrativo das colônias espanholas.
Os turistas mais afoitos por detalhes da colonização podem visitar a Igreja e Convento de São Domingo, fundada no final do século 16. Além de compreender um importante conjunto arquitetônico, o convento está restaurado e aberto à visitação pública. Além dos móveis e utensílios de época, os turistas podem conhecer também as catacumbas, onde estão os restos dos religiosos que viveram ali.
A capital peruana oferece ainda vários museus, como o Museu do Congresso e Antigo Tribunal da Inquisição. Entre os lugares arqueológicos, destacam-se o adoratório Huallamarca e o centro cerimonial Pachacamac, além da cidade pré-inca Cajamarquilla. À noite, Lima entra em ritmo de boemia. Para os iniciados, o ideal é circular pelo bairro de Miraflores, onde estão vários cafés, bares e parques.
Para quem não escapa das compras, há o Shopping Playa, construído nas encostas do Pacífico como área de lazer. Administrado por um grupo de brasileiros, o Playa tem 12 salas de cinema, bares, boliches, lanchonetes, espaço para shows e uma arquitetura aberta que permite a visualização do mar.
Com uma estrutura que oscila entre a colonização e o contemporâneo, Lima é a porta de entrada e o centro nervoso de um país heterogêneo, contraditório e belo. No limite entre arqueologia e história, ciência e misticismo, aventura e conforto, o Peru oferece roteiros para turista nenhum botar defeito. (R.P.)

mockup