As pesquisas assustam. Uma após outra, revelam que os jovens brasileiros estão cada vez mais virando as costas para a política. As discussões sobre os rumos do país, que tanto mobilizavam os estudantes há poucas décadas, parecem interessar apenas a meia dúzia de gatos pingados.
Já não se associa o ato de votar a mudanças na sociedade. Muitos ligam a política à imagem nada simpática que têm dos políticos. O que fazer? Atentos à conjuntura, os alunos do último ano do curso noturno de Jornalismo da UEL decidiram intervir no debate com a publicação de um jornal-laboratório dedicado exclusivamente às próximas eleições.
Mais do que isso: a intenção é distribuir toda a tiragem para estudantes do ensino médio. ''É o nosso público-alvo. Queremos sair do ambiente acadêmico e quebrar o mito de que a política é um tema incompreensível para os jovens'' explica Luiz Fernando Manzoli, um dos alunos envolvidos no projeto, que tem orientação do professor Ossamu Nonaka.
O jornal, intitulado ''Pré-Texto'', tem caráter experimental. Faz parte do currículo do curso. É publicado como um exercício de reportagem, redação, diagramação e edição para os futuros jornalistas. Em geral, circula apenas na comunidade universitária. Desta vez, vai buscar leitores fora do campus.
''A idéia é abordar temas gerais, destrinchando o funcionamento das instituições políticas'' explica Fábio Ventura, outro aluno. ''Não queremos catequizar ninguém, mas despertar a consciência da cidadania mostrando a importância do voto e de como as eleições influenciam nossa vida''.
Marketing político, coligações partidárias, pesquisa eleitoral e votos facultativo e obrigatório serão alguns dos tópicos didatizados ao longo das páginas. A conexão política-rock também ganhará destaque, focalizando bandas engajadas em causas sociais e humanitárias. Para Ventura, a cobertura política dos grandes meios de comunicação é falha por tratar fatos políticos isolados e limitar-se em períodos eleitorais ao dia-a-dia da campanha.
''O noticiário é voltado mais para o consumo dos candidatos do que para a educação política dos eleitores'' fulmina. Para não espantar os leitores arredios ao tema, os alunos pretendem explorar uma linguagem atrante sem cair na banalidade. ''Precisamos ser claros, diretos e concisos. Este será nosso desafio'' afirmam. O jornal-laboratório está previsto para sair em setembro.

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