O senhor é considerado por alguns críticos o maior poeta vivo do país. Mesmo assim, sua obra parece menos influente do que deveria ser. Como o senhor explica isso?
Não estou preocupado em ser o maior poeta vivo do Brasil e também não tenho como avaliar a influência que minha poesia exerce ou deixa de exercer. De qualquer modo, seja eu ou não um poeta influente, não cabe a mim explicar o fato.
O senhor se obriga a escrever todos os dias?
Não, absolutamente. Se fosse assim não teria levado doze anos para publicar um livro com pouco mais de 50 poemas.
O senhor exercitou uma vertente da poesia que se poderia chamar de engajada ou participante. Acredita que hoje ainda há espaço para a poesia social no Brasil?
Fiz poesia engajada numa época em que isso me pareceu necessário. Hoje não sinto mais essa necessidade. Mas a verdade é que, quando um poeta se entrega a fazer determinado tipo de poesia, ele não se pergunta se há ou não espaço, já que o faz por necessidade.
O senhor atuou também na poesia concreta e neo-concreta, das quais se desligou posteriormente. Que avaliação faz dessas experiências e como o senhor vê o status conquistado pela produção concretista ao longo das décadas?
Tanto a poesia concreta quanto a neoconcreta nasceram de momentos específicos da poesia brasileira. Não se trata de fenômenos gratuitos mas necessários. Cumpriram seu papel e se esgotaram.
Autores jovens costumam enviar seus livros para o senhor? Há algum traço marcante nessa produção?
Recebo muitos livros de autores jovens. Não é possível definir um traço marcante nesses poetas. Estão no começo do caminho.
A poesia passa por um bom momento no Brasil?
Há muitos poetas no Brasil, e nas diferentes cidades e regiões. Bons e maus poetas, alguns muito bons. É difícil dizer como está a poesia brasileira hoje em seu conjunto.
O poeta Paulo Leminski foi transformado em mito aqui no Paraná. Há quem o considere o maior poeta surgido no Brasil nas décadas recentes. Como o senhor avalia sua obra?
Leminski era um poeta muito original, com um modo próprio de apreender a poesia e expressá-la. Não conheço todos os seus livros mas sempre me agradaram o seu senso de humor e sua irreverência.
O senhor concorda com a tese de que já não existem mais leitores de poesia que não sejam os próprios poetas e ‘‘profissionais’’ da área como estudiosos e críticos? Acabou a figura do leitor culto, leigo, que lê por prazer?
Não sei. De fato a poesia nunca foi um gênero literário de grande público. Por sua própria natureza, ela fala para um número bem menor de leitores do que, por exemplo, o romance. Mas há nisso uma vantagem: ela não sofre a pressão do mercado, como, por exemplo, a música popular.
No livro ‘‘Argumentação contra a Morte da Arte’’, o senhor escreve logo na abertura que a ‘‘incapacidade da crítica em reconhecer o valor da pintura impressionista, quando esta surgiu, gerou nos críticos futuros um complexo de culpa e uma intimidação tal que, hoje, tudo o que se anuncia como novidade a crítica se sente obrigada a aprovar’’. No mesmo texto, o senhor acrescenta que ‘‘a instituição da novidade como valor fundamental da arte tornou-se uma espécie de terrorismo que inibe o juízo crítico e garante a vigência impune de qualquer idéia idiota’’. Passados sete anos de sua publicação, o senhor faria algum reparo ao livro ou reforçaria os argumentos?
O que tinha que dizer sobre aquelas questões está dito nesse livro.
Mas ‘‘Argumentação contra a Morte da Arte’’ é uma coletânea de artigos publicados em jornal. Apesar do livro ser considerado uma referência na área, o senhor planeja escrever um volume de maior fôlego sobre o tema da arte contemporânea?
Há uma diferença entre publicar no jornal e escrever para o jornal. Esse livro foi o resultado de muitos anos de reflexão sobre a arte contemporânea. Não se trata de artigos escritos eventualmente para o jornal. Na verdade penso às vezes em escrever um livro mais substancial sobre a problemática da arte contemporânea mas não sei se o farei.

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