A simplicidade do amor, expressada de maneira simples e direta por um dos maiores poetas de todos os tempos, Jalal-ud Din Rumi, que viveu na Pérsia, no século 13, e se tornou mestre sufi, é a espinha dorsal do espetáculo ‘‘Tu e Eu’’, monólogo estrelado por Walderez de Barros, que estréia hoje no 8º Festival de Teatro de Curitiba.
O texto, em sua maior parte, foi extraído de ‘‘Divan de Shamz de Tabriz’’, que celebra o encontro de Rumi com o mestre espiritual Shamz ud-Din de Tabriz. Ao contrário do que possa parecer, a poética de Rumi é direta, não se gruda em firulas e odes sentimentais.
‘‘A maravilha em seus poemas é que ele fala do amor dos seres humanos que possuem um corpo feito de carne e osso, e sentidos. Rumi não fala de fumacinhas’’, conta a atriz. ‘‘Ele usa palavras simples e belíssimas, de fácil entendimento.’’ Inclusive, num determinado momento do espetáculo, tem-se a frase: ‘‘A simplicidade é estar perto de Deus.’’
A montagem segue essa linha de explanações sem elucubrar academicamente sobre o tema amoroso, mesmo sendo ele a única motivação do trabalho. ‘‘Falo olhando no olho do espectador’’, conta Walderez, explicitando a forma direta de se chegar a quem está ouvindo. Daí também a preferência pelo Teatro do Paiol, que possibilita a proximidade da artista com a platéia.
A atriz é dirigida por Jorge Takla, tarimbado diretor que não só trabalha com teatro, como tem no currículo a direção de diversas óperas. Walderez entra em cena envergando um terno, única indicação masculina sobre o personagem masculino. Sem prender os cabelos para travestir-se na figura de um homem, a preocupação é uma só: servir como a voz que fala do ‘‘amor avassalador’’.
Para a artista o que realmente lhe interessa é discorrer sobre ‘‘a via do amor, como a única possibilidade que o ser humano tem de se transformar, ser revolucionário e, inclusive, subversivo.’’DivulgaçãoWalderez de Barros: atriz vai ao encontro da poética sufista, sem odes sentimentaisZeca Corrêa Leite

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