ReproduçãoChega hoje a Curitiba a pintura do brasileiro Armando Sendin, numa breve exposição que vai somente até o dia 20. Será uma grande oportunidade de se conhecer um pouco mais desta pintura que está um tanto deslocada no tempo pois renega o abstracionismo ao retratar, quase fotograficamente, cenas da vida cotidiana.
Não é uma pintura hiper-realista, que confunde o espectador. Logo na primeira vista nota-se que é uma pintura, porque o artista não está preocupado em ocultar sua arte, nem em enganar quem vê os quadros. As cores são fictícias, têm um toque e um brilho um pouco mais exagerado do que a realidade. É como se o autor dos quadros avisasse: isso foi feito com pincel e tinta.
A exposição atual traz uma série de quadros marinhos, em que crianças divertem-se ao soltar barquinhos em algum canal ou praia. Traz também as festividades em trajes típicos da Andaluzia, terra do pai do pintor.
Sendin, ao fazer estes retratos, une a ciência da técnica a uma visão quase infantil. Por vezes, os quadros parecem ilustrações de livros infantis. Mas são um pouco menos inocentes. O jogo de iluminação mostra logo que foi um pintor que trabalhou ali e não um ilustrador com habilidade e pouca técnica.
Mas o que mais chama a atenção é a trivialidade das imagens. Parece que elas viveram antes dentro do espectador. Como se todo mundo já tivesse, antecipadamente, presenciado aquelas cenas. Ao mesmo tempo, os quadros são praticamente atemporais. As cenas podem ter sido vividas nas décadas de 50, 60, 70, 80 ou 90. Tanto faz. Os quadros são todos de 1997.
Cores e contrastes Os tons caem quase sempre para o azul, seja do céu, mar, blue jeans ou presentes nas roupas de lã ou algodão. Mas existem os contrastes, um vermelho intenso em um canto, um verde musgo em outro. Outras com o fundo esmaecido de construções de uma antiga cidade, com as telhas quebrando o domínio quase todo branco, nebuloso.
Trata-se de uma pintura ao alcance de todos, que foge do hermetismo. Qualquer um pode olhar e comentar o que está vendo. Ao mesmo tempo, dá margem para os mais entendidos discutirem a técnica, as pinceladas, a composição.
Armando Sendin nasceu no Rio de Janeiro e frequentou, na infância, a Escola de Belas Artes de Priego (Córdoba-Espanha). Formou-se em Filosofia pela USP em 1949, especializando-se em Estética. Doutorou-se nesta disciplina na Sorbonne, em 1952. Estudou cerâmica e trabalhou com ela de 1954 a 1964, no seu próprio estúdio, em São Paulo, no qual lecionou, dividindo seus conhecimentos. Atualmente dedica-se integralmente à pintura e faz individuais anualmente, tanto no Brasil quanto na Europa, onde mora.
• Armando Sendin - exposição individual. De hoje a 20 de novembro na Manolo Saez Galeria de Arte (Av. Manoel Ribas, 1.556, loja 8, fone: 041 335-8142). Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h. Sábados das 10h às 18h. Domingos, das 13h às 18h.

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