A pintura como arte e ofício
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 1999
Celina Alonso Az 
Quando ainda era criança e não entendia bem o Português, Kimie Hirata, filha de imigrante japonês, achou um jeito de se comunicar. Seus coleguinhas de classe debochavam dizendo que ela não sabia falar, só desenhar. Foi através dos desenhos a crayon (que eles pediam tanto que ela fizesse), que Kimie conseguiu conversar com o mundo fora de casa. Depois de 30 anos pintando em tela, porcelana e seda, toda espécie de flores que se possa imaginar, a artista plástica maringaense está expondo sua mais nova fase: as marinhas. São quinze trabalhos que estarão a partir de segunda-feira até o dia 12, no hall da Caixa Econômica Federal, em Maringá.
Kimie Hirata diz que não fez faculdade porque acha que o talento se adquire através da experiência e da troca de idéia com mestres, no dia a dia. Hoje ela expõe bastante em Maringá e São Paulo, onde participou recentemente de coletiva a convite de uma galeria. Ela viaja duas vezes por mês para trocar idéias com pintores de paulistanos, entre eles Miura, Gilberto Raimundo, Wakao, Cecilia Yoshida e Otero.
Como artista plástica acho que devo estar sempre buscando conhecimentos, aperfeiçoando técnicas. Nessa busca incessante procuro inovar estilos e buscar novas conquistas na arte de pintar. Para a artista a arte é antes de tudo a melhor forma de relaxamento. Além disso, cria em você uma liberdade de se expressar. A pintura em tela, por exemplo, aceita todos os meus problemas e as cores ajudam a expressar minhas alegrias, tristezas e até mesmo a explosão de emoções que fica estampada ao final de uma sessão. Acho que não sei falar muito bem, mas é mais ou menos isso o que sinto. Prefiro me expressar pintando, justifica-se.
A professora Kimie, que já teve cerca de 100 alunos de pintura em tela e porcelana, diz que hoje os jovens perderam um pouco o interesse pela atividade. O custo também é muito alto, explica Kimie. O meu maior desejo é transmitir meus conhecimentos a todos os que buscam na pintura uma forma de realização pessoal e querem aperfeiçoar a técnica.
Em seu ateliê, em Maringá ela está ensinando a pouco mais de vinte alunos. Antigamente eu era a única professora na cidade. Hoje minhas alunas também lecionam. Além da tela e porcelana, pastel e cerâmica, Kimie diz que gosta muito de pintar em seda. Adoro a seda porque dá para fazer uma arte solta, uma coisa meio aquarelada, bem abstrata, define a artista. Hoje suas ex-alunas também já conquistam espaço no cenário maringaense como pintoras. É o caso de Nilza Bersani, Debora Kemmer, Sonia Arai, Carmen Campoi, Clotilde Rosa e Marli Marques que reverenciam a mestra e reconhecem sua importância na sua formação artística.
Na tela, Kimie adora pintar a óleo e em acrílico. Atualmente está vivendo uma fase de marinhas. Fiz muito flores, depois passei a fazer casarios e agora estou adorando fazer barcos, navios e mar. Mesmo assim, as suas exuberantes flores do passado continuam a encher os olhos de quem visita residências elegantes e empresas da cidade.
A exposição de marinhas de Kimie Hirata fica de 1º a 12 de fevereiro no hall da Caixa Econômica de Maringá em horário comercial, na rua Santos Dumont, 2881, centro.


