A pérola selvagem do sul da Bahia
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Milton Dória/Arquivo FolhaPaisagem primitivaAs ilhas de Abrolhos não têm muita vegetação e parecem solitárias, mas a rica vida submarina forma um cenário deslumbrante para os mergulhadoresTodos os anos, o espetáculo se repete. Baleias jubartes fogem da Antártida e vão para a região do arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, que nesta época do ano apresenta condições favoráveis para o acasalamento e reprodução. A espécie dá um toque maior de alegria a um paraíso naturalmente encantador. Durante cinco meses as jubartes lotam as águas do oceano, e de longe já se pode avistá-las entre um salto e outro no mar. O Parque Nacional de Abrolhos, criado em 1983, congrega raros recifes de corais e ilhas vulcânicas, e é conhecido em todo o mundo devido à sua importância ecológica.
O arquipélago é formado por cinco ilhas: Guarita, Redonda, Siriba, Sueste e Santa Bárbara. Esta última é a única habitada, além de ser a maior delas, com um quilômetro e meio. No entanto, a Marinha não permite o desembarque de estranhos na Santa Bárbara, muito povoada por atobás. As ilhas de Abrolhos não têm muita vegetação e parecem solitárias. Apenas a Sueste tem alguns coqueiros. A Siriba tem capim e rochas vulcânicas. O farol de Abrolhos, construído em 1861, fica na ilha de Santa Bárbara, e seu acesso é proibido. Descer na ilha, só com autorização da Marinha.
Instituto Jubarte Nas águas rasas e transparentes do arquipélago habitam centenas de espécies de peixes e tartarugas. Essa paisagem primitiva ainda tem a proteção da Marinha e do Ibama - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. A cada ano aumenta o número de turistas que visitam o lugar e, graças aos esforços conjuntos de preservação, a região ainda não foi degradada pela exploração desordenada da indústria do turismo.
Biólogos e oceanógrafos criaram o Instituto Baleia Jubarte, para proteger e estudar a espécie, que mede cerca de 16 metros e pesa quase 30 toneladas. Localizado a 70 quilômetros da cidade de Caravelas, com 910 quilômetros de extensão, o parque abriga as maiores e mais importantes formações de corais do Atlântico Sul ocidental. A rica vida submarina forma um cenário deslumbrante para os mergulhadores.
As colunas de recifes favorecem o abrigo de algas, esponjas e peixes coloridos de todos os tamanhos e tipos. Os pesquisadores já encontraram no parque 22 espécies de corais. Não é preciso ter experiência de mergulho para cair nas águas de Abrolhos. A temperatura média da água é de 28 graus no verão, com visibilidade de aproximadamente 15 metros de profundidade. O período de águas mais claras em Abrolhos vai de dezembro a fevereiro.
Mergulho noturno Nas cidades de Nova Viçosa, Caravelas, Alcobaça e Prado há barcos que levam visitantes ao arquipélago. Os barcos costumam zarpar nas primeiras horas da manhã. Pela periculosidade das águas por causa dos corais, os barcos não fazem o percurso durante a noite. Tanto é que a origem do nome do lugar é derivada de alertas de navegadores portugueses do século 16 que diziam: Quando te aproximares da terra, abre os olhos.
Mas, se os barcos não navegam à noite, muitos mergulhadores preferem o cair da tarde para entrar em ação. Dizem que é um espetáculo diferente e muito belo. Não são apenas peixes e aves que se vêem por lá. As aranhas são muitas, porém inofensivas, e ainda há ratos, gatos selvagens e cabras.
O mar da região também foi cenário de uma passagem da história política do Brasil. Em 12 de setembro de 1631, holandeses se confrontaram com uma esquadra luso-espanhola, em Abrolhos. Portugal estava sob domínio espanhol (1580-1640).
A esquadra luso-espanhola era formada por 20 navios de guerra e 24 barcos mercantes. Os holandeses, com 13 navios, estavam sob o comando do almirante Adrien Janszoon Pater. D. Antonio de Oquendo derrotou o inimigo, capturou seu navio e o matou. A batalha deixou um saldo de 800 mortos e 400 feridos e prisioneiros. Entretanto, a luta em Abrolhos foi fundamental para a decisão dos holandeses de abandonar Recife e se refugiarem em Olinda.


