Milos Forman: diretor ganhou treze Oscars só por "Um Estranho no Ninho" e "Amadeus"
Milos Forman: diretor ganhou treze Oscars só por "Um Estranho no Ninho" e "Amadeus" | Foto: Abdelhak Senna/ AFP



Roma – O fim de semana foi triste para os amantes do cinema. O diretor Vittorio Taviani, que morreu em Roma aos 88 anos, no último domingo (15), escreveu com seu irmão Paolo algumas das páginas mais belas do cinema italiano, em uma obra atípica que mistura história, análise psicológica e poesia.
"O cinema é a minha vida porque, se não, seria só um fantasma e todas as relações com os demais de dissolveriam na confusão", dizia Vittorio Taviani.
Indissociável de seu irmão Paolo, dois anos mais velho que ele, os dois falavam sempre em uma só voz e escreviam a quatro mãos sobre suas indignações e iras, mas também sobre seu amor pela arte e beleza.
"Não sabemos como poderíamos trabalhar um sem o outro (...) Enquanto pudermos respirar misteriosamente no mesmo ritmo, faremos filmes juntos", afirmavam os cineastas que, em 1977, se comparavam ao café com leite: "é impossível dizer onde termina o café e onde começa o leite!".
Muito inspirados pelo mestre do neorrealismo, Roberto Rosselini, mas também por Vittorio De Sica, os dois irmãos se interessaram desde o início, nos anos 1960, pelos temas sociais.

Vittorio Taviani: considerado um dos maiores mestres do cinema italiano, interessava-se pelos temas sociais
Vittorio Taviani: considerado um dos maiores mestres do cinema italiano, interessava-se pelos temas sociais | Foto: Gerard Julien/ AFP



E seu cinema se diferenciou rapidamente por um estilo singular.
"É um dia triste para a cultura, um dos maiores mestres do nosso cinema se vai", declarou em comunicado o ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini.
"Dom, bondade, humildade. Classe. O homem da boina que o diferenciava de Paolo. Posso dizer como Scola 'nos amamos tanto'. 'A noite de São Lourenço' é sua obra-prima", reagiu no Twitter Gilles Jacob, ex-presidente do Festival de Cannes.
Após uma série de documentários, os irmãos Taviani realizaram seu primeiro longa-metragem, "Un uomo da bruciare" (1962), que conta a história de um sindicalista socialista marxista que luta contra a máfia siciliana.

Jack Nicholson em ‘Um Estranho no Ninho’, de Milos Forman: crítica aos sistemas psiquiátricos
Jack Nicholson em ‘Um Estranho no Ninho’, de Milos Forman: crítica aos sistemas psiquiátricos | Foto: Fotos Reprodução



Foi em 1974, com "Allonsanfan", uma evocação da Itália pós-napoleônica e o fracasso dos movimentos revolucionários que explodiram na época, que obtiveram seu primeiro sucesso internacional.
Grande parte de seus filmes são inspirados em obras literárias. Com "As afinidades eletivas" adaptaram Goethe, e em "Pai patrão" se basearam em um romance de Gavino Ledda.
"Pai patrão", que fala do duro destino de um menino sardenho criado por um pastor, venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, onde suscitou uma polêmica por sua dureza.
O tema da infância também está presente em "A noite de São Lourenço" (1982), Grande Prêmio especial do Júri de Cannes.

Chiara Caselli em ‘Aconteceu na Primavera’, dos irmãos Taviani: história de traição e poder
Chiara Caselli em ‘Aconteceu na Primavera’, dos irmãos Taviani: história de traição e poder



Milos Forman – Um dia antes de Taviani, o cinema mundial também perdia o diretor tcheco, naturalizado americano, Milos Forman, que morreu em sua casa, nos Estados Unidos,no sábado (14), aos 86 anos. Diretor de grande filmes como o emblemático "Hair" (1979) - que toda uma geração consagrou como seu retrato cinematográfico - Forman consagrou-se por "Um Estranho no Ninho"(1975) que lhe deu o Oscar, depois também dirigiu "Amadeus" (1984), ganhando, pelos dois filmes, nada menos que 13 estatuetas, dentre elas o de melhor diretor. Na sua cinebiografia ainda se destacam "Na Época do Ragtime" (1981) e "O Povo Contra Larry Flint" (1996). Forman estudou inicialmente na Academia de Cinema de Praga, seus filmes "Pedro, o Negro"(1964) e "O Baile dos Bombeiros" (1967), uma sátira sobre o regime comunista, foram banidos do país temporariamente.

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