A Paris norte-americana
Washington Para os mais entusiasmados, Washington é a Paris americana. Há semelhanças que não negam as influências francesas. Afinal, foi a convite de George Washington que o engenheiro francês Pierre Lanfant projetou a cidade a partir do triângulo formado pela Casa Branca, pelo Capitólio e pelo monumento a Washington (Washington Monument).
O grande número de praças e museus da capital americana é um motivo a mais para a comparação com a Cidade-Luz, que também preserva sua riqueza cultural. Mas a herança para o patrimônio público de Washington veio mesmo por meio de um cientista inglês chamado James Smithson.
Conta a história que, em 1826, Smithson escreveu seu último testamento, tendo como beneficiário um sobrinho. Caso morresse o rapaz, como ocorreu, tudo deveria ser encaminhado, segundo o documento, ''para os Estados Unidos da América, sob o nome de Instituto Smithsonian, um estabelecimento para a difusão do conhecimento entre os homens''.
Os motivos que levaram o cientista a deixar sua fortuna, na época estimada em US$ 500 mil, para uma terra que nunca tinha pisado são até hoje desconhecidos. O investimento, porém, foi rigorosamente aplicado e resultou no maior complexo de museus dos Estados Unidos e do mundo.
O Instituto Smithsonian abriga 16 museus, quase todos na imponente avenida que liga o Capitólio ao monumento a Washington. O imenso corredor, ladeado por quatro avenidas principais Jefferson Drive, Madison Drive, Constitution Avenue e a Independence Avenue , por si só é um lugar de lazer. Todo o gramado é usado para piqueniques e corridas. Por lá, tem-se o acesso para a escolha dos museus.
Pensar ser possível visitar todos é ilusão. Escolha o de maior interesse e nele passe uma tarde inteira. O melhor de tudo: todos têm entrada gratuita.
O Museu Nacional da História Americana chama a atenção pelo próprio fato de reunir o que o nome já sugere. O maior desafio é saber por onde começar. O prédio tem três andares, cada um deles com mais de dez amplas salas de exposição.
A entrada principal do museu fica no segundo andar. Ir direto para o balcão de informações é o mais indicado. Ali, o visitante tem à disposição guias que ajudam a escolher as salas. Se preferir, pergunte à recepcionista uma sugestão pessoal. ''Que tal começar pelo final?'', sugere uma atendente com forte sotaque hispânico. Ótima dica.
A sala a que ela se referia foi inaugurada durante a comemoração de um ano dos atentados de 11 de setembro. É uma exibição marcante, uma das mais procuradas. Apesar do grande número de visitantes, ninguém ousa movimentos bruscos ou arrisca um tom mais alto na voz. A expressão facial é compenetrada e rígida.
Na entrada, fotos ampliadas do World Trade Center, do Pentágono e de Shanksville local na Filadélfia da queda do terceiro avião, que os passageiros conseguiram desviar do que poderia ter sido mais um alvo de terroristas , além de imagens de personagens pelo país recebendo a terrível notícia.
Na galeria, fotos do trabalho de profissionais que se aventuraram para o pontos dos desastres, o famoso vídeo dos irmãos Jules e Gédéon Naudet, franceses que estagiavam com o Corpo de Bombeiros de Nova York, e a câmera e últimas fotografias de Bill Biggart, o único fotógrafo a morrer no desabamento das Torres Gêmeas.
No espaço de objetos estão à mostra cerca de 50 artefatos recolhidos nos três locais dos atentados. São pastas de executivos, sapatos sociais, fragmentos dos aviões, itens encontrados nas salas destruídas do Pentágono. Tudo terrivelmente real.
Se nenhum texto pode retratar com acuidade a emoção e a destruição produzidas naquele dia, menos ainda este texto pode retratar a exposição. Não à toa, há caixas de lenços espalhadas pelo saguão.





