A paixão, segundo Nelson Rodrigues
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 1997
Giovani Ferreira Ponta Grossa 
Interligados e adaptados por Jorge Julião, 18 contos da obra de Nelson Rodrigues marcam a montagem da peça No Exercício da Paixão, na programação de hoje à noite do 25ºFestival Nacional de Teatro Amador (Fenata). Encenada pela Cia. Paulista de Artes (Jundiaí/SP), a peça trata de diversas questões sócio-psicológicas.
Os contos selecionados para esse espetáculo mostram um pouco do universo rodrigueano e os valores que ele defendia, como o amor, a sinceridade e a honestidade. Segundo Jorge Julião, diretor da montagem, a peça busca revelar a face do autor e seu otimismo em relação ao futuro do homem brasileiro.
Nelson Rodrigues, considerado um gênio para alguns ou desequilibrado para outros, está presente No Exercício da Paixão através de contos como Um Cadilac por um Beijo e O Pediatra (crítica mordaz ao enriquecimento fácil), Humilhação de Homem e Amor de Irmã (condição da mulher), A Esposa Humilhada, Quem Morre, Descansa, Coroa de Orquídeas e Veneno, que tratam da força da mulher e da hipocrisia das antigas relações familiares.
Fenatinha No período da tarde o palco está reservado para o grupo Palhaço Tenorino, que veio de Rio Branco (Acre) participar do Festival Nacional de Teatro Infantil (Fenatinha), com a peça Tempo de Solidão. A montagem apresenta os personagens Fran, Cida e Assis que, mesmo unidos por motivos corriqueiros como a amizade, a paixão, o interesse pessoal e o amor involuntário permanecem solitários, perdidos em sua próprias idéias, divagando em suas próprias considerações.
De Francisco Braga, também autor das músicas, e Dinho Gonçalves, que assina a direção, o espetáculo apresenta-se como um musical que trata da vivência comum da maioria das pessoas, enfocando um triângulo amoroso entre jovens que sequer percebem o que acontece. Gonçalves explica que os personagens da peça não são, em nada, diferentes de todos nós. Segundo Gonçalves, eles apenas tiveram a coragem de mostrar ao mundo as particularidades de seu individual Tempo de Solidão.
Francisco Braga entende que, nesse aspecto, a raça humana, em qualquer tempo, em qualquer lugar, sempre sente a necessidade de eliminar a solidão a qualquer custo. Para tanto, continua Braga, cria jogos, arma ciladas, estabelece situações, destrói conceitos e, mesmo assim, a solidão está sempre presente.
Todas as peças do Fenatinha e do Fenata são encenadas no Auditório da Reitoria da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), sempre com início às 14 e 21 horas. O ingresso para assistir aos espetáculos do Fenata custa R$ 1,00. As peças do Fenatinha têm entrada franca.


