A paixão pelo picadeiro no Le Cirque
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Vai, vai, vai começar a brincadeira. E é no ''Le Cirque - um circo diferente'', que permanece até o dia 31 no terreno ao lado do shopping Catuaí. O circo não tem animais, e investe mais nas artes cênicas e na tecnologia para levar o público ao mundo da fantasia por quase duas horas.
Dentre as atrações, estão o show de águas dançantes e as tradicionais apresentações de malabarismos, acrobacias e o globo da morte. Além, é claro, do palhaço, embora um pouco diferente: enquanto o palhaço brasileiro fala bastante, no Le Cirque ele baseia a atuação na mímica, nos moldes do palhaço europeu. Mas continua tendo marmelada, sim senhor.
A estrutura também é diferenciada. Neste circo, ninguém precisa sujar os pés de barro nem se sentar apertado ao lado do outro. Jogos de luzes ajudam a enriquecer o visual de cada atração. E não há locutor.
O Le Cirque foi criado em 1999, pela quarta geração de uma família circense, a Stevanovich. ''Naquela época, sentimos que o público estava cansado do formato tradicional. Então, ou nós nos modernizávamos ou fechávamos'', justifica George Stevanovich, diretor administrativo do circo. Essa montagem é diferente da que veio à cidade em 2005 - tratam-se de duas unidades distintas.
Ao todo, 70 pessoas trabalham nesta unidade, sendo 18 só nos espetáculos. No globo da morte, os cinco motoqueiros são da família Stevanovich, e têm idades entre 13 e 21 anos. Todos têm a oportunidade de estudar, e são livres para optar pela carreira que bem entenderem, mas não querem abandonar o circo. ''O que mais me atrai é o aplauso do público'', comenta Robert Stevanovich, 18 anos, que nasceu em Buenos Aires e garante que essa rotina itinerante não cansa. ''É interessante conhecer gente nova, cidades e culturas diferentes. Quero passar a minha vida no circo, até o último dia'', afirma.
Segundo Stevanovich, essa paixão pelo circo fez com que o espetáculo não fosse interrompido nem com a morte da matriarca da família, em abril do ano passado. ''Estávamos em Belo Horizonte. Ela morreu no sábado e nesse dia fizemos três espetáculos porque ela exigiu que não cancelássemos. No domingo, depois de a sepultarmos, também teve apresentação. E ela foi enterrada no Brasil, como era seu desejo'', relata.
Mas o diretor reclama que o País não tem uma legislação específica para animais em circo. ''Aliás, a palavra 'circo' sequer existe na Constituição brasileira'', observa, ressaltando que, na outra unidade do Le Cirque, a intenção com os animais sempre foi educativa, sem torturas nem adestramento.
Para ele, falta também o apoio das prefeituras. ''Não tem nem áreas específicas. Eles esquecem que a cidade é beneficiada com o circo'', reclama, acrescentando que no Brasil a classe circense não é respeitada. ''O circo é a única atração que atrai famílias inteiras. É totalmente democrático, não tem política nem religião, só magia e emoção'', defende.
Daqui, o circo vai para Cascavel e Foz do Iguaçu, e depois segue para a Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai.
SERVIÇO
Quando - Espetáculos de 3 a 6 feira às 20h30. Sábados e domingos às 15h30, 18h e 20h30
Onde - No terreno ao lado do Catuaí Shopping, em Londrina
Quanto - R$ 20 (preço promocional e meia-entrada) e R$ 10 (crianças a partir de 3 anos)


