A paixão de Tom
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de junho de 2005
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Instalado dentro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, um Centro de Cultura e Meio Ambiente leva agora o nome de Tom Jobim. Além disso, para marcar a paixão de Tom pelo lugar, acaba de ser lançado o livro ''Meu Querido Jardim Botânico'' (Jobim Music, R$ 49), com fotos de Zeka Araújo e textos do próprio maestro.
O livro, que havia tido uma edição em 1987, ano em que se comemorou os 60 anos do compositor, recebeu novos textos dele e fotos inspiradas no que ele escreveu. ''É uma ode à beleza, feita pelo Tom, uma profissão de fé no futuro e na harmonia e que, por isso mesmo, nos remete à música'', conta Zeka, que conheceu o músico fazendo uma foto para a imprensa diária e, durante dois anos, estreitou relações na preparação da primeira edição do livro. ''Passávamos horas conversando, ele sugerindo as imagens porque conhecia muito bem o Jardim Botânico e também entendia e adorava fotografia.''
''Meu Querido Jardim Botânico'' vai da vista aérea do parque (ou ''a vôo de passarinho'', como diz a legenda em francês) a closes de seus insetos e, principalmente, pássaros que Tom sempre amou. Algumas fotos foram definidas por Tom como quadros abstratos e cada uma foi amplamente conversada com Zeca, em verdadeiros saraus na casa de Tom.
Tom Jobim cantou Ipanema na maior parte de suas músicas (inclusive na mais famosa de todas) mas seu amor pelo Rio transbordava para outros bairros. Ele gostava de dizer, por exemplo, que o Leblon, onde morou parte de sua vida, era uma ilha. O que é verdade, pois o bairro mais chique da zona sul do Rio é cercado por dois canais, pela Lagoa Rodrigo de Freitas e pelo Oceano Atlântico. A Floresta da Tijuca, vizinha que cercava sua casa, mereceu textos e músicas do maestro e, nos anos 80, Tom fez questão de tornar-se um morador comum do bairro, frequentando seus botecos e padarias, como se não fosse músico mais famoso e um dos maiores do mundo.
Em ''Meu Querido Jardim Botânico'', os textos foram mantidos com a letra do maestro e neles a paixão pelo bairro e pela natureza exuberante que o cerca está explícita. Foram escritos aos poucos, sem pressa, palavras de quem conheceu seu ambiente e quis mantê-lo para quem vinha depois.


