Assis Chateubriand foi um personagem importante e polêmico. Ao mesmo tempo em que se envolveu em política, golpes e construiu o MASP e os Diários Associados, colecionou inimigos ferozes, inclusive dentro da própria família. Gilberto Francisco Renato Allard Chateaubriand, seu filho mais velho - hoje com 72 anos - não escondeu as mágoas do relacionamento com o pai em entrevista à revista ‘‘Veja’’, publicada em 4 de fevereiro.
Considerado o maior colecionador de arte brasileira, Gilberto Chateubriand é diplomata, fazendeiro e não possui papas na língua. Na entrevista ele revela que foi perseguido por Chateubriand, mendigou mesada para a mãe e, até os 18 anos, não foi reconhecido como filho. Na certidão de nascimento constava ‘‘pai desconhecido’’. Ele revela que só obteve reconhecimento porque, caso contrário, seria obrigado a lutar na 2ª Guerra Mundial.
A memória de Gilberto traz à tona alguns artifícios de Chateubriand para agradar namoradas e conferir furos jornalísticos. Na recepção da coroação da Rainha Elizabeth II, em 1953, Chateubriand teria levado um fotógrafo escondido no porta-malas e a namorada, Aimée de Heeren, de penetra. Quando perguntaram sobre o convite da acompanhante, Chatô teria berrado: ‘‘Ela esqueceu’’.
Gilberto também considera que sua meia-irmã Teresa, ‘‘vendeu a alma ao diabo’’, quando fez as pazes com o pai, após anos de separação. De herança, o filho mais velho de Chatô recebeu um apartamento em Petrópolis, um terreno no Rio desapropriado pela Light, um terreno em São Paulo e uma fazenda.

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