Ao dar vida a Cecília de Sá, protagonista da novela ‘‘A Padroeira, que estréia amanhã na Globo, Deborah Secco vai interpretar uma personagem completamente diferente feita por ela até hoje
Leandro Calixto
Deborah Secco não faz nem um pouco o estilo de mulher fatal. Mesmo assim, a atriz de corpo franzino e olhar penetrante atiçou a libido de muito marmanjo quando interpretou a sensual Marina, em ‘‘Suave Veneno’’. Tanto que, na época, chamou a atenção dos diretores da ‘‘Playboy’’ e topou virar capa da revista masculina. ‘‘Não me considero uma mulher especial. Sou muito comum, igual a muitas outras que existem por a풒, subestima-se a atriz carioca. De fato, a maior preocupação de Deborah é com a profissão. Aí ela demonstra segurança e concentração para viver a primeira protagonista da carreira: a obstinada Cecília de Sá, na novela ‘‘A Padroeira’’, que estréia nesta segunda-feira, dia 18.
Na trama de Walcyr Carrasco dirigida por Walter Avancini, ela será a ponta do triângulo amoroso formado com Valentim Coimbra e Dom Fernão, personagens de Luigi Baricelli e Maurício Mattar. ‘‘Meu maior objetivo é convencer o público que sou capaz de interpretar uma mocinha também’’, almeja Deborah. A atriz tem razão para tamanha preocupação. A sua última personagem na televisão foi a maquiavélica Íris, que infernizou os personagens da novela ‘‘Laços de Família’’. ‘‘Ela foi muito marcante. Por isso, queria variar com um papel completamente diferente’’, explica Deborah.
Com apenas 21 anos de idade, ela já tem uma carreira de fazer inveja a muitos atores veteranos. Na televisão, por exemplo, Debora já contabiliza nove novelas, sendo que a maioria exibida no horário nobre. No cinema, ela aguarda com ansiedade a estréia de ‘‘Invenção do Brasil’’, de Guel Arraes e Jorge Furtado, que foi exibida na televisão como microssérie em abril de 2000. Enquanto no teatro, Deborah acaba de viver um dos personagens mais marcantes de sua carreira: a lésbica Karina, da peça ‘‘As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant’’. No espetáculo, ela acaba se apaixonando por uma mulher acima de 40 anos. ‘‘Estou atravessando uma fase muito produtiva na minha carreira. Mas tenho consciência que tenho muito o que aprender ainda’’, enfatiza a atriz.
Qual a expectativa de protagonizar, pela primeira vez, uma novela?
Acho que isto é o menos importante. Em primeiro lugar, estou muito feliz com a oportunidade de estar trabalhando com o diretor Walter Avancini – para mim, é um dos caras que mais entendem da televisão brasileira e, em especial, de dramaturgia. Com apenas uma palavra, o Avancini esclarece tudo que ele pretende passar para nós, atores. Também tem a questão de estar interpretando uma personagem completamente diferente dos últimos dois trabalhos que fiz na televisão: a mimada Marina, de ‘‘Suave Veneno’’, e a vilã Íris, de ‘‘Laços de Família’’. Para mim, como atriz, é muito importante fazer trabalhos diversificados na televisão. Quando fiz a Íris, por exemplo, meu maior objetivo era tentar convencer as pessoas que ela era uma pessoa ruim. Acho que consegui transmitir isto para o público. Agora, me dou por satisfeita se conseguir passar para o público que posso interpretar uma mulher boa e, ao mesmo tempo, guerreira, que é o caso da Cecília.
Há alguma pressão maior em fazer uma protagonista?
Sempre costumo falar que o tamanho do personagem quem determina é o próprio ator. Ele tem de fazer de seu trabalho a sua vida naquele momento. Foi assim que aconteceu quando interpretei a Íris, que na verdade era uma personagem teoricamente pequena no início da trama. Acho que meu empenho neste trabalho foi também determinante para a proporção que a personagem tomou. Acredito muito nisso, embora cada papel tenha seu valor numa trama. Com o Avancini, por exemplo, todos os atores do elenco acabam ganhando destaque. Então, não fico com toda responsabilidade. Ela é dividida com toda a equipe.
Você acha que sua atuação em ‘‘Laços de Família’’ foi fundamental para ganhar o papel principal em ‘‘A Padroeira’’?
Acho que cada trabalho realizado é um degrau que a gente sobe. Desde a minha primeira aparição na televisão foi assim, quando integrei o elenco de ‘‘Confissões de Adolescente’’, exibido na Cultura de São Paulo e na Band. Este projeto, com toda certeza, abriu outras portas para minha carreira na televisão. E tomara que o de agora abra outras portas no futuro. Mas com certeza a boa atuação na novela do Manoel Carlos foi legal não só para mim como também para outros atores que ganharam seu merecido reconhecimento, como Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e o próprio Luigi Baricelli.
E como está sendo este reencontro com Luigi, agora na condição de casal principal da trama de Walcyr Carrasco?
Em ‘‘Laços de Família’’ a gente contracenou pouco. Mas ali já deu para perceber o talento dele. A gente ainda está conhecendo a fórmula de trabalhar um do outro. E até agora, posso afirmar que está sendo uma grande surpresa contracenar com ele. O Luigi é o tipo do ator que tem muito potencial para subir na televisão. Ele é muito determinado. Acho que este trabalho vai acrescentar muito para nossa carreira. Principalmente por ser uma proposta nova, comandada pelo Walter Avancini, que coloca toda nossa emoção para fora. Com o Avancini, a gente gesticula e grita menos. Não sei dizer se vai ser um trabalho maravilhoso, mas nós estamos fazendo de tudo para que seja bem-aceita pelo público. Eu, por exemplo, saio da gravação exausta porque me envolvo completamente com o trabalho, mas estou muito contente.
Você parece estar impressionada com o método de trabalho do Walter Avancini. Em que ele difere dos demais diretores?
Ele é genial. Está sendo um grande impacto para minha carreira trabalhar sob a direção dele. O Avancini tem uma mão muito forte para dirigir as cenas. Quando estou ali no set de gravação contracenando com o Luigi, ele me faz acreditar que sou realmente apaixonada pelo Luigi. Ele consegue fazer com que realmente tenha este sentimento. Tudo isto é muito louco. Só que o Avancini consegue provocar esta magia. Sinto que tudo que ele fala é verdade. Como atriz, está sendo muito gratificante estar passando por esta experiência. Já havia percebido tudo isso quando fiz um especial de Natal do ‘‘Você Decide’’, que marcou a volta do Avancini à Globo, em 1999. Aos 21 anos de idade e com toda minha carreira pela frente, fico feliz com a chance de passar pelas mãos de um diretor como ele.
Depois de viver duas garotas intransigentes – a Marina e a Íris –,você acha que era realmente o momento ideal de fazer uma mocinha na televisão?
Com toda certeza. Para o ator, é essencial trabalhar com os opostos. Principalmente porque realmente fiquei muito marcada com a Íris e também com a Marina. As duas eram personagens fortes e que atuavam no horário nobre. Por isso, muita gente que não me conhecia virava para mim e dizia: ‘‘Deborah, para você deve ser fácil fazer uma Íris da vida. Você é igual a ela’’. Mas não sou. Quando interpretava a Marina, todo mundo achava que eu era muito sexy. Mas não me vejo como uma mulher sensual. O mesmo acontecia com a Íris. Quem chegava perto de mim, pensava que eu era chata, implicante e má. Só que não sou nada disso. Sou uma pessoa simples, sem nenhum estereótipo. Eu sou normal, como todo mundo. Gosto de ficar quietinha no meu canto. Na verdade, me considero uma pessoa muito observadora.

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