Como o mundo começou? Como as pessoas foram criadas e por quê? E, se ganhamos a vida, por que somos amaldiçoados com a morte? ‘‘O Livro Ilustrado dos Mitos’’, de Neil Philip, lançado pela Editora Marco Zero, procura dar as respostas a essas e a outras questões. De acordo com a mitologia egípicia, por exemplo, das lágrimas de Re vieram os primeiros seres humanos.
Para os egípcios, Re deu à luz a si mesmo. Sentindo que estava só, cuspiu, e de sua saliva nasceram Shu, o ar, e Tefnut, a umidade. Da união de Shu e Tefnut nasceram Geb, o deus da Terra, e Nut, a deusa dos céus. Essa é a teoria que explica a Criação para os povos do Egito. Já os iranianos acreditam que no, início dos tempos, Ahura Mazda vivia na luz e seu irmão gêmeo, Angra Mainyu, também conhecido como Ahriman, vivia na escuridão. Entre os dois havia apenas ar. Então Ahura Mazda criou o tempo, e o mundo começou.
Em seu ‘‘Livro Ilustrado dos Mitos’’, Neil Philip reconta todas as grandes histórias dos mitos da Criação, de diversos povos, passando pelos mitos da fertilidade e do cultivo. Fala, também, dos mitos de deuses e mortais, até os mitos do fim do mundo. As histórias são intercaladas por fotos e belas ilustrações de Nilesh Mistry.
No capítulo ‘‘Deuses e Animais’’, a autora fala da adoração dos egípcios por gatos. ‘‘Quando um gato morria, era pranteado, mumificado e enterrado junto com ratos mumificados para lhes servirem de comida no além’’. Segundo Neil, os mitos do mundo refletem cada faceta de nosso relacionamento com os animais reais. Ela lembra que, embora o rato, no geral, seja associado no mundo ocidental à morte, decadência, doença e covardia, no Oriente ele é respeitado. ‘‘Para um hindu, por exemplo, o rato tem bom senso e visão. É por isso que o deus indiano Ganesha (cabeça de elefante e corpo de homem) anda pelo mundo montado num rato’’, diz. Já o elefante é o símbolo da força, poder, sabedoria, paz e alegria. ‘‘Na mitologia indiana, um elefante segura os céus’’.
Teorias Cada região do planeta fortifica uma história diferente para o fim do mundo. Muitos povos, como diz Neil, acreditam que este não será um momento ruim, pelo contrário, será um período de renovação e purificação. ‘‘Muitas histórias falam de heróis para quem a morte não é o final definitivo, mas apenas um intervalo antes que voltem, uma vez mais, para defender a humanidade’’.
O livro explica que, para o povo nórdico, o Galo Dourado canta para despertar os deuses todas as manhãs. Mas chegará o dia do último crepúsculo dos deuses. Então, irmão lutará contra irmão e todas as barreiras cairão. A Terra será submergida pelo mar. O sol se tornará preto. As estrelas brilhantes cairão do céu. E o próprio céu se queimará. A morte chegará aos deuses, aos gigantes, aos duendes e anões, aos homens e mulheres. Deste epsódio se salvarão Lif e Lifthrasir, que se alimentarão do orvalho da manhã. A partir deles a humanidade renascerá.

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