A ordem é modernidade
Luiz Paulo Lima/AE
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Modelo da Equilíbrio apresentado no MorumbiFashion: grife é especialista na roupa do dia-a-diaO segundo dia do MorumbiFashion, anteontem, em São Paulo reuniu o maior número de desfiles da semana. Cinco estilistas mostraram suas propostas para o outono - inverno 98 (três desfiles por dia é a média da temporada). Da competente pesquisa de materiais da linha fashion da Forum ao talento criativo de Alexandre Herchcovitch, muitos estilos foram vistos. Em comum, quase sempre a referência aos esportes, interpretada de diferentes formas.
Ausente na última edição de evento, a Equilíbrio voltou às passarelas em grande estilo, mostrando o que sabe fazer de melhor, a minha especialidade é a roupa do dia-a-dia. Acho bárbaro quem pode trabalhar com a fantasia, mas eu gosto de trabalhar com a realidade, disse a estilista Márcia Gimenez antes do desfile. Transpondo para a sua moda os quatro elementos do Universo, ela cria peças acertadíssimas, como as longas saias em preto, de tecidos fluidos, com uma grande prega lateral em fundo rosa-choque. A silhueta é alongada, trazida das formas dos anos 50 e do sportwear. A camisaria em branco também merece destaque: acompanham calças retas cinza-chumbo, que trazem um verdadeiro capricho fashion - um (e somente um) dos passadores vem em rosa.
A mineira Patachou também optou pela principal qualidade da temporada: a releitura moderna do romantismo dos anos 50 e a funcionalidade da moda esportiva, que ganha ares sofisticados. O top de lurex cinza ou preto sob moletons coloridos é um bom exemplo desse sportwear casual. Dentro da mesma estética estão ainda os blusões de malha usados com calça corsário e os agasalhos de nylon coordenados com saias, nos pés, tênis da Olympikus. Que lança uma bela linha colorida.
A saia colegial plissada - que se firma como uma forte tendência - divide a cena com os vestidos com aspecto de veludo molhado, acompanhado por casaquetos tipo cocainil. O melhor momento da coleção são as saias bailarina, uma estilização dos clássicos modelos rodados dos anos 50. Com sobreposição de tecidos transparentes, em tons de cinza, azul e magenta, e leve volume proporcionado por algumas pregas. As saias trazem de volta a cintura marcada dos anos dourados.
Linha jovemCom um desfile performático, divertido e essencialmente conceitual, a Zapping acerta o alvo como sempre. Coloca a garotada em diferentes níveis, conseguindo dar a impressão de que os modelos estavam flutuando, não fossem alguns tombos no decorrer do percurso. No seu inverno after times, a marca passeia pelo final do século XIX e mistura referências aos dândis e aos esportes radicais do final do milênio. O resultado são babadinhos nas saias usadas sobre calças, camisas brancas cortadas de modo a fazer referência aos fraques e casacas bem cortadas. Tênis e bolsas coloridas completam os looks.
Os trabalhos mais consistentes em termos de modelagem e conceito foram apresentadas por dois estilistas de vanguarda. Tufi Duek, que optou, com sucesso, pelo experimentalismo, e Alexandre Herchcovitch com sua moda personalíssima, para poucos entendedores.
A Forum trouxe uma linguagem nova para o seu inverno. Inspirada na consistência do corpo, a coleção tem muito do japonismo dos anos 80, construído com tecidos de aparência frágil, uma referência aos materias hospitalares, como gazes e sedas diferenciadas, que se misturam às lãs e ao mohair. Destaque para o tratamento dado aos materiais: a gabardine de lã, por exemplo, é navalhada, deixando as costuras aparentes. O látex chumbo de aspecto enrugado, garante o brilho para a noite.
As formas são retas, marcadas por faixas na cintura, nos quadris e nos ombros. As saias vão até o joelhos e as calças são bem amplas. Drapeados na região do tronco nos vestidos fazem alusão às costelas. Jaquetas e saias-envelope têm fechamento em velcro. Sapatilhas chinesas completam a estética oriental.
Herchcovitch avança em sua alfaiataria, dessa vez em fundo preto com listras cinzas e azuis. Reedita peças mutantes, como vestidos que se tornam calças, e chama a atenção com o macacão com grandes pregas na parte posterior das pernas, de modo que no andar, pareça um vestido longo. A novidade são os macacões de automobilismo, perfeitos para os propósitos clubbers de seus clientes potenciais.
O estilista surpreende pela delicadeza das saias de renda usadas com bodies transparentes, e mostra seu toque de mestre nos vestidos com corpo de látex e saia de seda com pedrarias. Simplesmente genial.





