Elomar, o cancioneiro cearense que dedica o tempo a criar cabras e compor as canções que depois sai mostrando Brasil afora, estará em Curitiba nos dias 14 e 15 de outubro. Mais exatamente no Teatro Fernanda Montenegro, com um espetáculo inédito até mesmo para seus fãs de carteirinha. ‘‘Cenas Brasileiras’’, com patrocínio do Ministério da Cultura, trará um lado desconhecido da obra do cearense: a ópera.
Uma trupe de artistas líricos de Belo Horizonte apresentará cenas inteiras de três peças de Elomar: ‘‘A Noiva’’, de ‘‘Casa das Bonecas’’, ‘‘Dança de Ferrão’’, de ‘‘O Retirante’’ e ‘‘A Leitura’’, de ‘‘A Carta’’. Como os entendimentos com os artistas são ainda recentes, o compositor não tinha seus nomes ‘‘na ponta da língua’’, como queria.
Enfim estarão na montagem um mezzo, um soprano, um barítono e um dançarino. Comandando a direção musical estará seu filho João Omar de Carvalho Neto. A orquestra que fará o acompanhamento será formada por músicos curitibanos. ‘‘Em cada local que levarmos o espetáculo, teremos uma orquestra local’’, explica o compositor. Em ‘‘Dança do Ferrão’’ a regência será do maestro Paulo Torres.
A escolha foi feita por Elomar. ‘‘Gostei dele, moço sério e talentoso’’, avalia. O formato de ‘‘Cenas Brasileiras’’ não é o de uma montagem inteiramente operística, porque aí precisaria de uma soma muito alta de dinheiro. São mesclados o cancioneiro popular - na voz do autor e seu violão - com a ópera interpretada em português.
‘‘Não é uma ‘Flauta Mágica’, uma ‘Aída’’’, avisa. ‘‘São histórias de gente brasileira, as três cenas se passam no campo, embora também tenha escrito peças que se passam em avião, na cidade. Canto a contemporaneidade. Não estudei a escola européia, quem me ensinou a música foi Deus. Ele me ensinou a escrever música brasileira’’, conta orgulhoso.
Em homenagem ao maior político brasileiro - e o único presidente da República, em sua opinião - Elomar está escrevendo no momento a sua 11ª ópera: ‘‘D. Pedro II, o Príncipe Regente’’. Entenda-se aqui que ele apresenta o monarca como regente de orquestra, ‘‘homem fino, culto. Derrubaram ele para instaurar uma república só para imitar a revolução francesa’’, diz contrariado.
Enquanto viaja pelas capitais ultimando detalhes da turnê - serão 20 cidades - Elomar planeja a volta ao sítio nas barrancas do Rio Gavião. ‘‘Tem uma onça que está arrasando com as cabras. Na lua nova vou matá-la.’’ Até agora ele contabiliza 80 cabras e ovelhas vítimas da assassina, nos sítios ao redor. ‘‘Ela não come a carne, só bebe o sangue.’’ Afirma que irá prender o animal com arataca e matar à faca. ‘‘Quero aproveitar a pele.’’

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