A odisséia das cidades mitológicas
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domingo, 23 de fevereiro de 1997
Maranúbia Barbosa Especial para Folha Turismo 
Maranúbia BarbosaVista parcial de Delfos: a 180 quilômetros de Atenas, cidade fica encravada no Monte ParnasoDiz a lenda que um oráculo previu a Laio, rei de Tebas, que seu filho o mataria e esposaria a mãe. Laio ordenou que o recém-nascido fosse abandonado nas montanhas. Os soldados penduraram a criança pelos pés numa árvore: daí o nome Édipo, que significa pés inchados, nome dado por um pastor que recolheu o menino. Édipo foi criado pelo rei de Corinto e quando adulto também foi consultar o oráculo de Delfos, que repetiu a profecia. Horrorizado, não regressou o Corinto. Numa estrada por onde vagava encontrou alguns viajantes e envolvendo-se numa briga matou um deles: era Laio. Caminhando um pouco mais chegou a Tebas, que era assolada por uma Esfinge que devorava todos aqueles que não decifrassem seu enigma: Qual é o animal que durante a manhã tem quatro pernas, à tarde tem duas e à noite tem três?. Édipo respondeu que era o homem e a Esfinge suicidou-se.
Como prêmio, Édipo recebeu a mão de Jocasta, tornando-se rei de Tebas. Porém, os deuses não perdoaram seus crimes involuntários e devastaram Tebas com a peste. Ao saber da verdade, Édipo arrancou os próprios olhos e Jocasta enforcou-se. Expulso de Tebas, guiado pela filha Antígona, Édipo termina seus dias no bosque sagrado de Colona, perto de Atenas.
Tudo isto é lenda, mas as cidades citadas são bem reais. Começando por Delfos, distante cerca de 180 quilômetros de Atenas, o turista vai percebendo que a linha que separa realidade e mitologia é tênue e fugaz. A cidade fica encravada nas encostas do Monte Parnaso, local bucólico que emprestou seu nome a um movimento poético-literário.
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Delfos era um santuário dedicado a Apolo, deus da harmonia e das artes, que inspirava uma sacerdotisa, Pítia, que respondia as perguntas das pessoas que consultava o oráculo. Geralmente os oráculos visavam a apaziguar os homens e evitar violências. Eram procurados para responder sobre questões de estado ou problemas pessoais. A Pítia, ou Pitonisa, ficava recolhida num lugar sagrado e, numa espécie de transe, expressava-se por frases vagas e indeterminadas, passíveis de várias interpretações.
O oráculo de Delfos atingiu seu auge por volta do séc. VI a.C, exercendo forte influência na colonização, comércio, arte, religião e política de toda a Grécia antiga. O recinto sagrado, delimitado por um muro, foi construído sob a forma de anfiteatro, em meio a altas falésias, num cenário impressionante. São altares, nichos, pórticos e, dominando a parte superior está templo de Apolo e o teatro. No local está o museu que abriga a decoração plástica de Delfos, com destaque para a estátua do Auriga, condutor da quadriga, a carroça da época.
Tesouros arqueológicos Visitar a Grécia é acrescentar vários pontos ao conhecimento. Partindo de Atenas em direção ao Peloponeso, península ao sul da Grécia, chega-se à Corinto, cidade da Antiguidade onde o apóstolo São Paulo viveu 18 meses pregando a religião cristã. As escavações arqueológicas revelaram diversos santuários, dentre os quais o templo de Apolo, protótipo da arquitetura arcaica, de proporções atarracadas, e basílicas paleocristãs.
Antes de chegar à cidade encontra-se o Canal de Corinto, via navegável entre os mares Egeu e Jônio. Alguns quilômetros depois, em cima de uma colina estão as ruínas da cidade de Micenas, que floresceu por volta do ano 1600 a.C. Capital do rei Agamenon, Micenas abrigou um palácio e uma necrópole. A principal entrada é a Porta dos Leões, de onde se divisa os círculos de túmulos. Existe também o Tesouro de Atreu, uma construção monumental que data do séc. XIII a.C.
Um pouco mais adiante, junto ao golfo Sarônico, fica Epidauro, antiga cidade da Grécia que deve sua reputação ao santuário de Asclépio, deus da medicina. Mas o maior atributo de Epidauro está em seu famoso teatro, um dos mais belos de toda a Grécia, com capacidade para 14 mil pessoas. A surpreendente conservação e a perfeita acústica fazem com que o teatro ainda seja usado no verão para representações ao ar livre.
Aldeias nas montanhas Quem deseja dar um tempo nas visitas às cidades históricas tem a opção de conhecer as aldeias típicas do interior da Grécia. No caminho para Delfos a parada obrigatória é Arahova, cidadezinha aos pés do Monte Parnaso. O casario típico, lojas de artesanato e tabernas rústicas estão entre as atrações. Esquiar também não é problema. Arahova possui uma estação que recebe esquiadores durante as nevascas que sempre acontecem no inverno.
A aldeia é extremamente acolhedora, mas não dispõe de muitos hotéis. Portanto, é bom fazer reservas. Um dos hotéis mais aconchegantes é o Arahova Inn (tel. 0267 31353 - 31134). Restaurantes não faltam, todos com preços convidativos. Para obter qualquer informação sobre a cidade basta contatar o seu endereço na Internet: www.Arachova.com


