ARTES CÊNICAS -

A ocupação que chegou ao palco

Espetáculo 'Quando Quebra Queima', apresentado na sexta-feira (1) em Londrina, documenta a luta dos estudantes pela educação

Marcos Roman - Grupo Folha
Marcos Roman - Grupo Folha

Lutando contra um decreto de reorganização escolar que previa o fechamento de mais de 100 escolas paulistanas em 2015, um grupo de estudantes ocupou durante três meses diversas unidades de ensino. O movimento batizado “Primavera Secundarista” se alastrou por todo o País ocupando mais de mil estabelecimentos. Os espaços ocupados acabaram se tornando celeiros de resistência que abrigaram inúmeras apresentações artísticas que incluíam teatro, dança e música.


Elenco de 'Quando Quebra Queima" em Londrina: espetáculo tem origem nas ocupações das escolas de São Paulo em 2015, deslocando para o palco as experiências dos estudantes secundaristas
Elenco de 'Quando Quebra Queima" em Londrina: espetáculo tem origem nas ocupações das escolas de São Paulo em 2015, deslocando para o palco as experiências dos estudantes secundaristas | Fábio Alcover/ Divulgação
 


A vitoriosa revolução estudantil que acabou levando o então governador Geraldo Alckmin a revogar o criticado decreto é revivido no espetáculo “Quando Quebra Queima”, atração da Mostra Nacional de Artes Cênicas - Filo 2019 na última sexta-feira (1). Dezesseis atores que integram o grupo ColetivA Ocupação e que participaram do movimento secundarista e viveram intensamente o processo de ocupações e manifestações mostraram ao público londrinense um recorte do que aconteceu durante a “Primavera Secundarista”. A apresentação aconteceu no Colégio Hugo Simas, com entrada gratuita.




Com direção de Martha Kiss Perrone, o espetáculo é protagonizado por corpos insurgentes que deslocam para a cena a experiência que tiveram dentro das escolas ocupadas durante meses, criando uma narrativa coletiva e comum a partir da perspectiva de quem viveu o dia a dia dentro deste movimento que foi um dos grandes acontecimentos políticos dos últimos anos. A montagem, que está na fronteira entre performance e teatro, é uma “dança-luta” coletiva construída a partir da experiência de luta e afeto de cada performer.


“Além das nossas performances, durante o espetáculo a gente apresentou textos, fotos, vídeos e músicas que foram produzidos durante as ocupações. É uma maneira de cada um dos integrantes contar um pouco da experiência que vivemos ao participar intensamente deste movimento”, afirma Lilith Cristina.

Ela comenta que a “Primavera Secundarista” foi inspirada na “Revolução dos Pinguins”, mobilização estudantil que ocorreu no Chile em 2006 e envolveu cerca de 600 mil participantes. “As ocupações em São Paulo aconteceram de forma totalmente espontânea. Quando o movimento acabou, a gente percebeu que tinha um material muito rico e potencial para contar essa história através de uma performance artística e compartilhar nossa experiência com muitas outras pessoas”, ressalta.

Segundo Lilith, a formação do elenco que compõe a ColetivA Ocupação também se deu de forma espontânea. “O grupo é formado por pessoas que participaram do movimento em escolas de diversas regiões de São Paulo e que não se conheciam, mas que compartilhavam o desejo de contar essa história para outras pessoas”.

Na avaliação da atriz, a “Primavera Secundarista” teve um saldo bastante positivo. “Conseguimos impedir o fechamento de mais de 100 escolas. E, apesar de ter sofrido muitas agressões por parte da Polícia Militar, todo mundo que participou do movimento saiu das escolas com uma outra visão do mundo. Houve uma ressignificação da importância das ações de resistência e do papel fundamental da arte neste processo. A gente saiu das escolas técnicas e secundaristas para ocupar os teatros e as universidades do mundo afora”, conclui.


Continue lendo


Últimas notícias