A OBRA GRÁFICA DE HORST JANSSEN
Paulo Polzonoff Jr
De Curitiba - Especial para a Folha
Entra hoje em cartaz, na Casa Andrade Muricy, uma das mais importantes exposições do ano em Curitiba. Trata-se da mostra Horst Janssen - Águas-Fortes, que reúne 160 obras do impressor alemão Horst Janssen, um dos mais importantes artistas gráficos alemães do pós-guerra. Para a exposição, que tem o apoio do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha e do Instituto Goethe, foram selecionadas as sequências O Passeio de Hokusai e Carnaval di Venezia, além de trabalhos avulsos produzidos entre os anos 50 e 70, considerado um dos mais férteis do artista. A mostra, que já passou pelo Rio de Janeiro e Porto Alegre, deve continuar por diversos países latino-americanos até o ano 2000.
Horst Janssen nasceu em Hamburgo, em 1929. Viveu, assim, todo o conturbado período da ascenção do Nazismo, a Segunda Grande Guerra e a cisão da Alemanha com o Muro de Berlim. Apesar de não ser um dos temas preponderantes da obra de Janseen, a política está presente em suas forma mais abominável no trabalho do artista, marcado pela melancolia e o desespero.
A obra gráfica de Horst Janssen se divide entre o figuratismo e a abstração, aproximando-se, por isso, do surrealismo. Prova disso é o recorrente uso do próprio rosto como tema, recurso usado por mestres da arte surreal, como Salvador Dalí, e pelo genial Rembrant, uma das principais influências de Janssen. Em suas águas-fortes há também a presença constante de elementos da natureza interagindo com o ser humano, legando-lhe, assim, a condição de mero ente inserido no meio natural.
O grande salto artístico de Horst Janssen ocorre exatamente em 1969, quando encontra o gravador Hartmud Frielinghaus, que, a partir de então, acompanhará o artista em todos os seus trabalhos, eliminando parcialmente a angústia da espera que todo gravador enfrenta ao ter de enviar suas matrizes para impressões em lugares distantes. A possibilidade de realizar trabalhos imediatos faz com que a arte de Horst Janssen evolua sobremaneira, o que pode ser constatado em sua sequência O Passeio de Hokusai, de 1971, na qual o artista passeia pelo mundo da xilogravura japonesa. A outra sequência presente na mostra Carnaval di Venezia, Janssen trabalha com a figura humana inspirada nas famosas máscaras da cidade italiana.
Todas as obras presentes na exposição pertencem ao governo alemão que, desde a morte do artista, em 1995, tem realizado exposições em vários países da Europa, Estados Unidos e Japão.
Horst Janssen - Águas-fortes. Casa Andrade Muricy (Alameda Muricy, 915). De 22 de setembro a 24 de outubro. Visitas de terça a domingo, das 10h às 22 h. Ingressos a R$ 3,00 e R$1,00 (estudantes). Às terças a entrada é franca.





