Paulo Polzonoff Jr.
De Curitiba - Especial para a Folha
Em homenagem aos 250 anos do nascimento do poeta maior da língua alemã, o Instituto Goethe promove em seu auditório, até dia 23, a mostra Goethe no Cinema, com sessões às 16 e 19 horas. A mostra abrange os cem anos do cinema, com apresentações fiéis e livres das obras do escritor. Entre as obras-primas presentes está o ‘‘Fausto’’, de Murnau, um clássico absoluto do cinema mudo.
O interesse dos cineastas pela obra de Johann Wolfgang von Goethe nasceu junto com o cinema. Em 1899, data do sesquicentenário de nascimento do escritor, já havia dezenas de curtas a respeito de sua obra maior, ‘‘Fausto’’. Louis Lumiére, Georges Méliés e George Albert Smith foram alguns destes pioneiros que descobriram na obra do gênio alemão um tema capaz de cativar multidões para a nova arte que surgia. ‘‘Fausto’’ foi a primeira adaptação literária para o cinema. O motivo foi mais prosaico do que artístico: esperava-se que a incorporação de clássicos da chamada ‘‘arte burguesa’’ conferisse ao cinema o status de manifestação artística da qual ainda não dispunha.
O resultado desta incursão do cinema pelo mundo das letras foi algo desastroso. Se por um lado as adaptações literárias cativavam o público, por outro suscitavam discussões acaloradas entre os amantes e detratores do cinema. A discussão chegou ao ponto de a Associação Teatral Alemã interferir, em 1912, com a exposição ‘‘Memória Sobre o Teatro dos Cinemas’’, que afirmava que as transposição de livros e peças para a película eram superficiais e, portanto, prejudiciais tanto para espectadores quanto para a dramaturgia.
Hoje esta polêmica está ultrapassada. Goethe, para o deleite dos cinéfilos, está bem representado em centenas de filmes sobre suas obras. ‘‘Fausto’’ é a mais adaptada. Mas há também filmes baseados em ‘‘Os Sofrimentos do Jovem Werther’’ - considerado o livro precursor do romantismo e que arrebatou centenas de jovens no século XVIII, chegando a causar uma onda de suicídios pela Europa - e ‘‘Afinidades Eletivas’’, além de filmes que contém Goethe como protagonista ou coadjuvante em sua trama.
A mostra promovida pelo instituto Goethe exibe hoje o curta de Hans Sachs e Hedda Rinneberg ‘‘Schimidt, Que é Igual a Mim, ou Goethe Passeia pelo Parque’’, de 1994, e o longa-metragem ‘‘Clavigo’’, de Marcel Ophs, baseado no texto de Goethe de 1774, anterior ao romance ‘‘Os Sofrimentos do Jovem Werther’’. Amanhã será exibido o documentário ‘‘Camilla Horn Assiste ao seu Personagem ’Margarida’ no Filme ’Fausto’, de Murnau’’, de Hedda Rinneberg e Hans Sachs, e o longa ‘‘Os Novos Sofrimentos do Jovem Werther’’, de Eberhard Itzenplitz, que transpõe a tragédia do jovem apaixonado que se mata por amor para a década de 70, em plena revolução sexual.
Quinta-feira é a vez do curta ‘‘A Mulher Cuja Mãe Conheceu Goethe’’, de Hans Sachs e Hedda Rinneberg, e do longa ‘‘Tarô’’, de Rudolf Thome, baseado no romance ‘‘Afinidades Eletivas’’, de 1809. Sexta-feira, será exibido o longa ‘‘Egmont’’, de Franz Peter Wirt, e no sábado será apresentado o clássico do cinema mudo ‘‘Fausto’’, de Friedrich W. Murnau, de 1926.
A mostra ‘‘Goethe no Cinema’’ estará em cartaz até dia 23 de outubro, no Auditório do Instituto Goethe (Rua Reinaldo S. de Quadros, 33 - Praça do Expedicionário). Sessões às 16h e 19h. Entrada franca.

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