A obesidade segundo Fernanda
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quinta-feira, 05 de março de 1998
Telma Elorza 
A fotógrafa e artista plástica Fernanda Magalhães inicia seus projetos para 1998 com a exposição As Classificações Científicas da Obesidade. A mostra, que abriu ontem, no
Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina integra a exposição de textos e fotos da primeira turma de especialização em fotografia da Universidade Estadual de Londrina - da qual Fernanda faz parte.
A série, inédita, integra o projeto A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia, que Fernanda vem desenvolvendo desde 94. O novo trabalho será exposto em individuais, programadas pela Funarte, em salas do Rio de Janeiro e São Paulo. Nesta exposição, Fernanda faz apenas uma premiére do que será o trabalho As Classificações Científicas da Obesidade. Estou trabalhando a partir das famosas tabelas com as quais os endocrinologistas classificam os tipos físicos: aquela que dita o formato do corpo e a que traz relação peso, altura, medida do quadril, explica.
Partindo destas duas tabelas que trazem os 12 tipos de corpos humanos (ginecóide e andróide sobre normal, obesidade leve, obesidade moderada, obesidade severa e obesidade mórbida), Fernanda começou a fotografar as quatro faces de cada tipo: frente, costas e laterais direita e esquerda, realizando 48 corpos no total. Todo o trabalho será devolvido em fotos grandes, de 1,00 x 0,60 metros.
Em Londrina ela mostra a série Ginecóide Obesidade Mórbida em suas quatro faces. Mas a grande novidade é que, desta vez, Fernanda deixa de lado a massa corporal e manipula as fotos a partir do contorno, seguindo a idéia do construtivismo russo. A intenção, segundo ela, é criar uma discussão. Obesidade mórbida é um termo muito pesado, que preconiza o preconceito, afirma.
Fernanda prepara também o lançamento de seu Atelier de Fotografia, em parceria com os fotógrafos Paulo Miguel e Alessandra de Oliveira. O atelier estará oferecendo, a partir de 21 de março, cursos variados de fotografia, que vão do básico para quem quer se iniciar na arte, à Fotolinguagem, para os que estão interessados em desenvolver a fotografia como linguagem pessoal.
O atelier estará oferecendo também o curso de Redação Criativa para vestibular e Oficina de Criatividade para crianças, ambos coordenados pela jornalista e escritora Karen Debértolis e pela educadora Maria Fioratto. Nossa idéia é transformar o local em espaço de arte multidisciplinar, diz. O atelier vai funcionar em uma chácara às margens do Igapó (Rua Belize, 21), em Londrina. As inscrições estão abertas. Mais informações podem ser obtidas pelo fone (043) 339-0530.


