As paisagens exóticas sem economia da natureza que embelezam o outro lado do planeta tornaram-se pano de fundo para recentes produções do cinema. Influenciadas por películas como ''Encantadora de Baleias'', ''O Último Samurai'' e pela trilogia de ''O Senhor dos Anéis'', multidões de turistas estão seguindo para a Nova Zelândia para conferir o que o país oferece além do radical bungee jumping.
De acordo com a embaixadora da Nova Zelândia, Denise Almao, o número de turistas brasileiros naquele país aumentou 28% entre 2002 e 2003. Para ela, o fenômeno se deu por dois motivos: os filmes e a dispensa de visto para quem sai do Brasil. ''Todo brasileiro que vai à Nova Zelândia tem uma experiência inesquecível'', afirma.
Enquanto a série de ''O Senhor dos Anéis'' mostra paisagens exuberantes o que obrigou alguns operadores a organizarem roteiros que levem aos lugares onde foi filmada , o sensível ''Encantadora de Baleias'' conta um pouco da história do povo indígena, os maori, que representam cerca de 10% da população (cerca de 4 milhões de pessoas) e cuja cultura é rica em mitos, lendas e tradição artística.
Expressão de paixão, vigor e identidade da raça, o kapa haka é uma dança com ingredientes da arte marcial maori. Quem assistiu ao ''Encantadora de Baleias'' pôde conhecer essa expressão artística que mistura, ainda, canto, jogos da cultura maori e vestimenta tradicional (que lembra um pouco a roupa havaiana). A reputação de uma tribo cresce ou cai de acordo com a habilidade na dança.
O grupo, formado por homens e mulheres, começa mexendo as mãos, depois os pés. Aí, batem na coxa ao mesmo tempo em que batem os pés descalços e arregalam os olhos. A maquiagem, que eles chamam de tatuagem, identifica cada tribo.
A música é outro elemento vibrante na cultura maori. Cada canção tem uma história própria e pode ser acompanhada por violão. Nas apresentações, as mulheres usam o poi uma corda com bolas nas pontas, presa na cintura e acompanham a música girando essas esferas em movimentos tão coordenados que parece ser a coisa mais fácil do mundo. ''As bolas dão flexibilidade para as mulheres'', explica o maori Logan, de 25 anos. Quem se arrisca a imitá-las, passa vergonha. Originalmente, o poi era feito com fiapos de linho, casca de milho e bagaço. Hoje em dia, é confeccionado com papel, espuma, plástico, madeira e cordas.
Um dos grupos neozelandeses mais antigos de kapa haka, o Waihirere Maori Club, de um pequeno povoado na região de Turanganui A Kiwa, em Gisborne, fez algumas apresentações em São Paulo no começo de março, durante eventos organizados pela Embaixada da Nova Zelândia e pela operadora Kangaroo Tours. Eles seguiram, ainda, para Rio e Salvador. Formado oficialmente em 1952, o grupo, com 40 integrantes, é campeão do kapa haka e já representou a Nova Zelândia em várias ocasiões. Em julho deste ano, o Waihirere seguirá para o 9º Festival de Artes do Pacífico, na República Pacífica de Belau, com uma delegação de mais de cem artistas.
E os índios dão uma lição no que diz respeito a manter seus valores. Segundo a embaixadora, Denise, a língua maori foi quase extinta há 40 anos. Para manter a tradição, eles organizaram o movimento Kohanga Reo, uma escola de ensino da língua.
O primeiro Kohanga Reo foi estabelecido em 1981. Desde então, a iniciativa cresceu e atualmente há quase 600 centros. A maior concentração de tribos maori na Nova Zelândia fica em Auckland, Rotorua e Gisborne.

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