Gilson Camargo/divulgaçãoMário da Silva: 80 por cento das faixas de ‘‘Nova Música Brasileira’’ são assinadas por compositores paranaensesDuas vezes o violonista Mário da Silva executou o Concerto nº 3 para Violão e Orquestra, de Radamés Gnattali: no encerramento do Ciclo das Seis Cordas, no Teatro do Bamerindus, em 95, e na abertura da Oficina de Música, em 96, quando Gnattali foi lembrado pelos 80 anos de nascimento. Poderia ser uma peça a mais no extenso repertório do artista, não tivesse uma particularidade importante na história. Foi com este concerto que começou a surgir o disco que está vindo aí - ‘‘Nova Música Brasileira’’.
O cachê pela apresentação na Oficina de Música foi o pontapé inicial para a produção deste disco de violão solo do Paraná. Com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o projeto deslanchou. Recebeu patrocínio do Bamerindus, Taba Engenharia e Words Língua Inglesa. O lançamento do disco está marcado para dia 8 de abril, no Teatro do Bamerindus, em Curitiba.
Das faixas da ‘‘Nova Música Brasileira’’, 80% são assinadas por compositores paranaenses, diz o artista. O time é do maior respeito: Octavio Camargo, Jaime Zenamon, Norton Dudeque, Guilherme Campos, Chico Mello e Waltel Branco. O elenco é completado por José Eduardo Gramani, Garoto e Radamés Gnattali.
O título do disco resume a filosofia do trabalho. ‘‘A intenção do repertório é contar a história do instrumento no Brasil do século 20, depois de Villa-Lobos’’, explica Mário da Silva. ‘‘Sou um intérprete do que os compositores pensam, da impressão que eles têm da realidade’’.
Mário da Silva consegue essa intimidade de sons e pensamentos porque os autores estão disponíveis, com exceção de Garoto e Radamés. Desde que necessário ele pode discutir temas mais subjetivos, o que é impossível no caso de uma composição de Bach, por exemplo. Faltam outras referências além daquilo que está na partitura.
Barrocos e tubarõesO músico iniciou seus estudos em 1983, com Orlando Fraga, sem delimitar espaços para os estilos. Abrangente, passou a tomar contato com os mestres das escolas tradicionais e os autores vanguardistas, como Arrigo Barnabé e Chico Melo. Era daqueles que se deleitava com os ‘‘Tubarões Voadores’’, de Barnabé.
Do experimentalismo à música barroca, as cordas de seu violão passaram por todas as canções, em recitais e concertos. Mário da Silva Junior participou dos grupos ‘‘Vai ou Racha’’, especializado em chorinho, ‘‘Abominável Homem das Neves’’, que cantava MPB e ‘‘Quarteto de Violões de Curitiba’’, com o qual gravou seu primeiro LP, em 1991. Pode ser ouvido também em outras searas como no disco de música antiga, do Quarteto Angra, coordenado por Roberto de Regina.
Formado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em 1992, é atualmente professor na mesma escola. Paralelamente assume outras atividades como aconteceu com o ‘‘Festival Internacional de Violão de Curitiba’’, no Hotel Rayon, e o ‘‘Ciclo das Seis Cordas’’, no Palácio Avenida.
No momento, espera por uma definição da Lei de Incentivo Fiscal. Está com um projeto de dez concertos nas capitais do Cone Sul, incluindo Assumpção, Montevideu e Buenos Aires. Para o lançamento do disco acertou concertos em Chapecó e Florianópolis.

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