Raí quer fazer um gol de placa. Não, ele não está de volta aos campos de futebol. O ex-jogador, nascido em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, será âncora do programa ‘‘Boa Notícia’’, com estréia prevista para novembro na TV Futura, canal por assinatura da Globosat. O programa é uma extensão do trabalho social que o jogador desenvolve há um ano com a criação da Fundação Gol de Letra, apoiando a educação para menores carentes e implantando programas sociais. ‘‘Assim que parei de jogar, quis dedicar meu tempo a esse tipo de ação voluntária’’, explica Raí. Além da fundação do atleta, o programa conta com a parceria da Fundação Roberto Marinho. ‘‘Estou me realizando. Essa é a união de forças para um trabalho que transforma crianças em adultos melhores’’, orgulha-se Raí.
O ex-jogador foi convidado pela direção do canal Futura, dedicado à educação, para uma parceria. O ‘‘Boa Notícia’’ é um programa de meia hora de duração, que pretende mostrar empresas e pessoas que ajudam a contribuir com a diminuição das desigualdades sociais. ‘‘Além de âncora, faço questão de fazer as matérias como repórter e de manter contato com as pessoas envolvidas’’, enfatiza o craque, sem disfarçar o temor de que as pessoas não percebam seu envolvimento com o projeto.
Apesar do eterno ídolo do São Paulo Futebol Clube ter apenas 35 anos, ele está casado há 18 anos e já tem uma neta de um ano e oito meses, fruto de uma das duas filhas. ‘‘Minha primeira filha nasceu quando eu só tinha 18 anos. Quando veio a segunda, eu já estava com 23’’, explica o futuro apresentador. A filha Emanuella, de 17 anos, presenteou o pai com o nascimento de Naíra, em janeiro do ano passado. Desde então o craque prioriza seu escasso tempo para aproveitar com a família.
Bem-humorado, Raí se diverte ao lembrar que chegou a ganhar o apelido de ‘‘rei sem rir’’ pelos jogadores do clube Paris Saint-Germain, onde jogou durante cinco anos, até 1995. O ex-jogador explica que esse apelido era porque, apesar de ser extremamente sério, vivia fazendo ironias e contando piadas com os companheiros do time. Foi no Paris Saint-Germain que Raí conheceu o jogador Leonardo, que hoje joga no Milan, na Itália. Ambos tiveram a idéia de montar, no Brasil, uma fundação para dar assistência às crianças carentes.
A partir daí surgiu a parceria para a criação da Fundação Gol de Letra, em São Paulo, que hoje atende 250 crianças e 350 adultos. Raí mantém um coerente discurso de indignação mediante as desigualdades sociais explícitas no Brasil. ‘‘Quando eu morava na França, o filho da minha empregada estudava no mesmo colégio da minha filha e iam ao mesmo médico’’, compara. O craque afirma que essa realidade pode parecer utópica no Brasil, mas não é.
O futuro apresentador lembra que veio de uma família humilde e teve a rara chance de conseguir estudar e virar atleta em um país onde apenas 0,9% da população lê pelo menos um livro por ano. ‘‘Pior do que essa realidade é a falta de oportunidades. Se o governo não proporciona estrutura à população, vamos tentar suprir essa carência’’, idealiza Raí.
Segundo ele, os clubes esportivos têm a responsabilidade de formar homens, além de atletas, mas não o fazem. ‘‘Por isso, assim que um jogador ganha dinheiro compra um carrão. Tive oportunidade de pensar um pouco mais adiante com a fundação’’, desabafa o craque, com expressão de preocupação. Quanto ao programa que apresenta a partir de novembro, Raí não disfarça sua grande expectativa. ‘‘O ‘Boa Notícia’ será mais que um programa de tevê. Será uma ação educativa’’, profetiza.

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