Não é novidade que histórias de Máfia fascinam o público do cinema: grandes produções como a trilogia de 'O Poderoso Chefão', de Coppola, e 'Os Bons Companheiros', de Scorcese, marcaram época e estabeleceram um prestígio extraordinário para os 'gangster movies', retratando os personagens e a ética distorcida do submundo do crime. Na televisão, o seriado que é considerado como um paralelo dessas obras-primas é o 'Família Soprano', exibido pela Bandeirantes nas noites de sexta-feira.
Visto como um divisor de águas, que iniciou a tendência de séries televisivas 'cinematográficas' - com fortes atuações e histórias profundas - a abertura da série já mostra que não estamos diante de uma experiência comum sobre o mundo do crime. Nada de sangue ou tiros. A fumaça do charuto, acendido no trajeto entre Nova York e os subúrbios de Nova Jersey, escondem as verdadeiras faces do mafioso Tony Soprano: pai de família, homem com problemas emocionais e maior chefe mafioso da região.
Fugindo do clichê das histórias policiais, o seriado é pautado pelas dificuldades de Tony entre balancear a vida familiar com a disputa pelo poder - que envolve outras famílias de Jersey e de Nova York - e refletem o caráter trágico do personagem corpulento do Don Soprano. Longe de ser um estereótipo de chefão mafioso 'forte e durão' - como Gary Cooper - a complexidade das ações e as atitudes impulsivas de Tony nos levam a identificar aquilo que, no decorrer da série, se transformará no maior inimigo do protagonista: ele mesmo.
Sofrendo constantemente de ataques de pânico, Tony se vê obrigado a buscar a ajuda da psicóloga Jennifer Melfi, que tem o seu consultório, gradualmente, transformado em um importante ponto de reflexão para a narrativa; um local neutro, onde o mafioso consegue analisar o seu temperamento sem correr o risco de expor suas inseguranças e desejos para os ouvidos de outros criminosos. Fora daquelas quatro paredes, a sobrevivência é a do mais forte.
Ambientado em meio a uma Nova Jersey pobre e decadente, a série abrange muito mais do que o simples 'modus operandi' das facções criminosas. Contando com diálogos brilhantes e atuações inesquecíveis, 'Família Soprano' reflete, em última instância, um estudo profundo da psique humana e da irracionalidade de nossas ações - tudo isto misturado com uma boa dose de assassinatos, sexo e dinheiro.
Considerado por muitos críticos como sendo o melhor seriado de todos os tempos, as histórias dos Sopranos ficaram no ar durante oito anos, contabilizando seis temporadas, 86 episódios, e com um final polêmico exibido em 2007 pela rede de televisão americana HBO. A série acumulou cinco prêmios do Globo de Ouro, além da indicação para mais de 100 estatuetas do Emmy Awards, em diversas categorias. No Brasil, a Bandeirantes começou a exibir a 2 temporada da série nas noites de sexta-feira.
Serviço
Família Soprano - 2 Temporada
Onde - Toda sexta-feira, às 23h30, na Band.

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